Nessas minhas idas e vindas ao litoral paulista, ouvi uma rádio de lá chamada Top FM, 103.3 e, para minha surpresa, estava tocando a nova música do grupo de reggaeton, Muamba Bitt, vencedor do Astros em 2008. A nova música "Rua do Sossego" é bem mais melódica do que o hit "Tá Solteira" e faz parte da trilha sonora da novela "Vende-se um Véu de Noiva" do SBT. Ouvi a música várias vezes, sinal de que não foi somente uma coincidência, mas que está tocando regularmente.
Gente, podem dizer o que quiserem. Que ela estava tomando remédio para labirintite, que foi um gesto de protesto, o que quiserem. Mas se um médico for operar uma pessoa sob efeito de alguma substância que o faça ter uma péssima performance, ele perde seu registro! Por que isso não ocorre com cantores?
Para quem quiser saber melhor do que estou falando, pule já para 2:30 em diante...
Tudo bem... Não tem muito a ver com o Blog, a não ser a belíssima música de Vivaldi das 4 Estações (meu concerto favorito é o Inverno). Mas achei esse video tão inspirador para mim que penso que outras pessoas podem também gostar. Para quem tem medo de enfrentar desafios, veja esse video:
O Cantor Rogério Madeo, ex-participante do PRG entre 2003 e 2004; e vencedor do concurso "Melhor Cantor do Brasil" em 2006, acaba de lançar uma música que já está tocando nas baladas do Brasil.
Trata-se de "Back in Time", gravada para o projeto do DJ João Neto com o DJ Jô Borges e parceria com Tchortta Boratto. Essa música inclusive deve fazer parte de um CD em breve, quando será lançado também um clipe.
Acesse o site abaixo e ouça as duas versões da música.
Para quem se interessou, aqui vai o trailer do documentário sobre Wilson Simonal. Destaque para os comentários de Ziraldo deixando bem claro o que havia por trás da campanha contra o grande artista.
A presença de Max de Castro no juri do programa Astros coincidindo com o aniversário de seu pai, Wilson Simonal de Castro, me fez decidir escrever algo sobre ele. Sei que o blog é lido por muitos jovens, que ainda eram crianças ou nem nascidos quando ele fez sucesso, antes de ser enterrado vivo pela esquerda brasileira.
INÍCIO Wilson Simonal de Castro nasceu no Rio de Janeiro, em 1939. Filho de empregada doméstica, ao servir o exército começou a cantar nas festas do regimento. Chegou ao posto de cabo e deu baixa das forças armadas para cantar em shows, principalmente rocks e calipsos (o ritmo caribenho, não o que se conhece hoje como calipsoooo), cantados em inglês. Por volta de 1961 foi descoberto pelo produtor e compositor Carlos Imperial, que o levou para o seu programa de TV, "Os Brotos Comandam", começando assim sua carreira profissional. Seu primeiro compacto (um disco que só tinha uma música de cada lado) foi o chá-chá-chá “Teresinha”, de Imperial. Foi levado por Luiz Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli para o Beco das Garrafas, que era o reduto da bossa nova na época.
Em 1963 é lançado o LP “Wilson Simonal Tem Algo Mais”, que estourou com a música “Balanço Zona Sul”, de Tito Madi. Esse disco contava com sucessos da bossa nova como “Telefone” e “Menina flor”. “Amanhecendo”, de Roberto Menescal e Lula Freire, que tinha uma gravação bem sucedida com “Os Cariocas”, recebeu aqui um tratamento suingado, jazzístico, com um resultado impressionante. Em 1964, Simonal viajou pela América do Sul e América Central, junto com o conjunto Bossa Três, do pianista Luís Carlos Vinhas. Ainda em 64, lança o LP seguinte, o segundo da fase bossa nova, “A Nova Dimensão do Samba”. O disco contava com as músicas “Nanã”, "Lobo Bobo", “Só saudade” e “Inútil paisagem”, de Tom Jobin, “Rapaz de bem”, de Johnny Alf, entre outras. Esse disco levou a muitos críticos elegerem Simonal como o melhor cantor da bossa nova.
O terceiro LP foi “Wilson Simonal”, lançado em março de 1965, menos de um ano depois do anterior, fato raro no Brasil. Contava com "Chuva", "Rio do meu amor" e algumas músicas de Ary Barroso e Carlos Lyra. Nesse disco, uma faixa causou estranheza dos fãs, “Juca bobão” estava mais para o rock do que para MPB. Desde essa época, a assim chamada elite intelectual brasileira já se mostrava preconceituosa em relação a ritmos e estilos tidos como "menos cultos". Lembrando que, na época, o rock ainda não tinha o status de música elaborada que só ganharia após o movimento progressivo do começo da década de 70. Era tido como algo mais rústico.
Apesar dos intelectuais começarem a torcer o nariz para essa mudança para um estilo menos erudito, Simonal vai se tornando cada dia mais popular, chegando a rivalizar com Roberto Carlos na preferência do público. Há quem diga que, no seu auge, ele teria superado RC com facilidade. Elegantérrimo, nenhum artista brasileiro vestia um smoking com tanta propriedade. Foi criador ou difusor de diversas gírias, hoje esquecidas. "Vou Deixar Cair" significava algo como "vou arrasar"; "S'imbora" era o "Vamulá" da época; "estar por fora" é usada até hoje, assim como "Nem vem, que não tem". "Alegria, Alegria", depois transformada num título de música de Caetano Veloso, foi um dos seus bordões. Pouca gente sabe que o termo "Patropi", utilizado até recentemente, é uma invenção de Simonal a partir das primeiras sílabas de "País Tropical", parte da letra da música homônima. Simonal teve o insight de cantar uma parte da letra, só com as primeiras sílabas, um toque de gênio.
Simonal com Elis Regina - Vem Balançar (1966)
Simonal foi o primeiro negro a apresentar sozinho um programa de televisão no país. De 1966 a 1967, apresentou o programa de TV "Show em Si ...monal", pela TV Record - canal 7 de São Paulo. Seu diretor era Carlos Imperial. Revelou-se um showman, que dominava o palco com uma naturalidade impressionante. A melhor fase de sua carreira chegaria em seguida, com uma série de sucessos dançantes como “País Tropical” (de Jorge Ben), “Mamãe Passou Açúcar em Mim”, “Meu Limão, Meu Limoeiro” e “Sá Marina”, num swing criado por César Camargo Mariano. Simonal ficou rico e assinou um contrato de publicidade com a Shell.
Tributo a Martin Luther King (1967)
O AUGE O auge de sua carreira foi atingido ao lançar um de seus maiores sucessos, “Mamãe passou açúcar em mim”, uma música fraca tanto como composição quanto letra, mas que o charme e estilo de Simonal transformou em um megasucesso. Essa música é de autoria de Carlos Imperial que, a partir dela, deu o nome para esse novo estilo: Pilantragem (uma mistura de samba e soul). Talvez esse nome, que na época pareceu uma brincadeira, tenha tido um efeito infeliz, alguns anos depois. Importante ressaltar que, apesar da queda da qualidade das canções, Simonal não só continou a ser um grande cantor, como um intérprete cada dia melhor, a ponto de, em 1970, fazer um dueto com Sarah Vaughan, transmitido pela TV Tupi. Assistam ao video onde, ele com 30 anos, ela com 45 (e já considerada uma das rainhas do jazz), dão um show de igual para igual. A segunda música é de arrepiar!
Wilson Simonal e Sarah Voughan cantando "Happy Day" e "Shadow of Your Smile" (1970)
Em 1970, acompanhou a seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo, realizada no México, onde tornou-se amigo dos jogadores de futebol Carlos Alberto e Jairzinho e do maestro Erlon Chaves. Só lembrando que a conquista da Copa do Mundo de 70 foi vista, pela esquerda nacional, como uma cortina de fumaça para os abusos do regime militar, que atingia o máximo de repressão na época. Guardem isso para entender o que vai acontecer mais adiante. Nessa época, Simonal era um dos artistas mais populares e bem pagos do Brasil, bastante assediado pela imprensa e pelos fãs. Tal era a popularidade que Simonal chegou a reger um coro de 30 mil vozes no show de encerramento do IV Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho.
O SUMIÇO De repente, Simonal, desapareceu da mídia. Não era mais convidado para programas de TV, não conseguia mais gravar discos, nem se apresentar ao vivo e suas músicas antigas não tocavam mais nas rádios, jornais e revistas não citavam a sua existência. Isso permanceu assim até sua morte. O que ocorreu? Dois crimes. Um, a meu ver, de menor gravidade, praticado por ele. Outro, gravíssimo, perpetrado pela esquerda que controlava a cultura brasileira durante o regime militar. Vamos aos fatos.Simonal foi vítima de um desfalque e demitiu seu contador, Raphael Viviani, o suposto culpado. Este moveu uma ação trabalhista contra o cantor. Em agosto de 1971, Simonal recrutou dois amigos (um deles seu segurança) militares para dar "uma lição" no contador. O contador foi torturado, inclusive com choques elétricos, e teve sua família ameaçada de morte. Afinal, acabou assinando a confissão de culpa no desfalque. O que Simonal não contava era que a mulher do contador tinha dado queixa à polícia pelo sequestro do marido. E quando este voltou para casa, a mulher o convenceu a entrar com outro processo contra Simonal.Processado sob acusação de extorsão mediante sequestro do contador, Simonal levou como testemunha aquele mesmo policial do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) do então Estado da Guanabara, Mário Borges, que o apontou em julgamento como informante do DOPS. Outra testemunha de defesa, um oficial do I Exército (atual Comando Militar do Leste), afirmou que o réu colaborava com a unidade.
Simonal foi julgado culpado pelo sequestro e, em 1972, condenado a uma pena de cinco anos e quatro meses, que cumpriu em liberdade. Nos autos, Simonal era referido como colaborador das Forças Armadas e informante do DOPS. Em 1976, em acórdão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, também é referida a sua condição de colaborador do DOPS."Em sua argumentação final, o ilustre meritíssimo alega que não tem como julgar os agentes do DOPS, já que estávamos vivendo um estado de exceção e, por isso, ele não tinha competência para julgar atos que poderiam ser de segurança nacional, mas Wilson Simonal, que era civil, não tinha esse tipo de “cobertura”, portanto pena de 5 anos e 4 meses pra ele (...) Se em 1971 fosse provado que ele era um colaborador, ele não seria julgado por isso, seria condecorado," escreve o comediante Claudio Manoel, produtor e diretor do documentário "Simonal – Ninguém sabe o duro que dei".
Simonal era réu primário e, por isso, não foi preso. Ninguém parece ter dado atenção para o fato de que, ao apontar Simonal como informante do DOPS, os militares torturadores, não acrescentavam NADA ao processo em si, mas conseguiam, com isso, liberar seus nomes de uma eventual condenação por um crime comum (e não político, sobre o qual o juiz se declarou incompetente para julgar). Mais importante é reforçar que o crime de Simonal NÃO FOI DEIXADO IMPUNE. Foi julgado, condenado e cumpriu a pena que seria reservada a qualquer pessoa comum. Importante também lembrar que não foi por ESSE crime, real, que Simonal foi perseguido pela esquerda, mas pela acusação - falsa - de ser informante do regime militar. Acredito que, se tivesse mandado dois civis darem uma surra no contador, a esquerda teria solenemente ignorado o caso.
Parece que Simonal tinha um lado infantil e mentiroso, pois passou a espalhar: “Ninguém mexa comigo porque eu tenho amigos no DOPS”. Não se espantem com isso. Lembrem-se que, na época, uma relação como essa não era motivo para vergonha e sim orgulho. As pessoas hoje em dia acham que todos os brasileiros, durante o regime militar, eram contra o governo e, por isso, não entendem o que ocorria. Era comum, numa época onde o politicamente correto não tinha sido criado, se utilizar de contatos e privilégios para se conseguir as coisas. Mesmo que essa intimidade com o poder fosse mentirosa. Essa mentira, somada ao fato de que o cantor era visto como favorável ao governo militar, fez com que alguns arvorados como donos da verdade “politicamente correta” decretassem o banimento dele. Em dois textos, muito bons, de Reinaldo Azevedo, a gente tem uma idéia de como isso foi perpetrado. Leiam para maiores detalhes (só não leiam à noite para não perder o sono): http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/ninguem-sabe-duro-que-dei-um-grande-documentario-assistam/ http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/wilson-simonal-e-assassinado-de-novo/
A CONDENAÇÃO À MORTE Embora nunca se tenha sabido de um só preso político denunciado por Simona, a esquerda brasileira, que mesmo durante do regime militar nunca deixou de controlar o que era aceitável para a nossa cultura, simplesmente proibiu informalmente Simonal de ser apresentado ou ajudado. Músicos sabiam que, se tocasse com ele, nunca mais seriam chamados para trabalhar com os baluartes da música, todos simpatizantes da esquerda. Então, todos se afastaram ou pararam de divulgar Simonal. Curioso notar que, em plena ditadura militar, esses artistas não só tinham espaço na mídia, apesar da censura, como a controlavam a ponto de determinar a morte profissional de um artista. Simonal caiu em absoluto esquecimento a partir da década de 1980.Resumindo o que ocorreu: um grande artista, aos trinta e poucos anos de idade, foi privado do exercício da sua profissão e de seu talento com base numa mentira sórdida. E o meio musical se acovardou e aceitou isso calado.
Com essa acusação de dedurismo em plena ditadura militar, Simonal passou para o completo ostracismo, só encerrado em 1994, quando foi lançada em CD a coletânea “A Bossa de Wilson Simonal”, ainda assim ignorado pela mídia.
O compositor Paulo Vanzolini, no entanto, afirma, em entrevista ao Caderno 2 do Estadão, que Simonal era, de fato, "dedo duro" do regime militar e complementa: Essa recuperação que estão fazendo do Simonal é falsa. Ele era dedo-duro mesmo. Ele "se gabava de ser dedo-duro da ditadura". E segue dizendo que "na frente de muitos amigos ele dizia' eu entreguei muita gente boa'", conclui. Aí entra a informação de que Simonal tinha o costume de mentir sobre seus conhecimentos no poder e fica a pergunta de Chico Anysio, que pergunta a todos, que citem um único nome de um artista dedurado por Simonal. Isso nunca se conseguiu mostrar.
O jornalista Reinaldo Azevedo atribui o ódio da esquerda brasileira a Simonal a seu aguçado sentido de autodefesa e corporativismo: Tivesse Simonal pertencido à VAR-Palmares ou ao MR-8, assaltado bancos, feito seqüestros e matado alguns, sua família estaria agora recebendo pensão e indenização. Se tivesse sobrevivido, seria ministro de Estado. E tocar no seu passado seria de extremo mau gosto. Curiosamente, dois dos grandes arquitetos do ostracismo a que Simonal foi vítima, Ziraldo e Jaguar, comandavam o jornal Pasquim, de onde acusavam Simonal de ser dedo duro. Esse ano, tanto Ziraldo quanto Jaguar solicitaram e ganharam o direito a polpudas indenizações pela "perseguição" a que foram submetidos durante o regime militar. Paradoxal, não é?
"Ele dizia para mim: 'Eu não existo na história da música brasileira'", conta sua segunda mulher, Sandra Cerqueira. Tornou-se deprimido e alcoólatra, vindo a morrer, em 200, de cirrose hepática decorrente do alcoolismo.
Em 2002, a pedido da família, a Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) abriu um processo para apurar a veracidade das suspeitas de colaboração do cantor com os órgãos de informação do regime militar. A comissão analisou documentos da época, manteve contato com pessoas do meio artístico, como o comediante Chico Anysio e os cantores Ronnie Von e Jair Rodrigues, e analisou reportagens publicadas nos jornais. Em notícia veiculada em 1992 pelo Jornal da Tarde, por exemplo, Gilberto Gil e Caetano Veloso declararam não ter tido problemas de convivência com Simonal. Para se ter uma idéia da dimensão da mentira, recentemente, Claudio Manoel contou que, ao tentar patrocínio para seu documentário sobre o cantor, um empresário teria perguntado por que defender "uma pessoa que torturou Caetano Veloso". Para quem não sabe, Caetano nunca foi torturado pelo regime militar, optando por um exílio voluntário, depois que um militar sugeriu isso, após a turnê "Doces Bárbaros", mas voltou ainda durante o governo militar, sendo deixado em paz. Mas mentiras como essa se multiplicaram ao longo dos anos.
Além de depoimentos de artistas e de material enviado por familiares e amigos, constou do processo um documento de janeiro de 1999, assinado pelo então secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori, no qual atestava que, após pesquisa realizada nos arquivos de órgãos federais, como o SNI e o Centro de Informações do Exército (CIEx), não foram encontrados registros de que Simonal tivesse sido colaborador, servidor ou prestador de serviços daquelas organizações.Em 2003, concluído o processo, Wilson Simonal foi moralmente reabilitado pela Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em julgamento simbólico.
Curiosamente, só depois disso é que comecei a ver seus filhos, Max de Castro e Simoninha, aparecer com maior frequência na mídia. Será que a condenação tinha efeito hereditário?
Mas eu pergunto: e se ele fosse realmente informante? Lembremos (algo que hoje em dia, insistem em esquecer) que a ditadura tinha iniciamente um apoio popular muito grande. Muitas pessoas do povo viam os comunistas, terroristas e opositores ao regime em geral como perigosos. Se hoje existe um Disque Denúncia para crimes comuns, lembrem que os opositores do regime militar também cometiam um crime previsto por lei, na época. E alguém tem dúvidas de que, se uma ditadura de esquerda, nos moldes de Cuba, fosse instaurada no Brasil, muitos dos artistas que vivem visitando a ilha e elogiando o ditador cubano seriam as primeiras a apontar os "inimigos do regime do povo"?
Muitos questionam por que Simonal foi vítima dessa campanha, se existiam outros artistas e personalidades (como Nelson Rodrigues e Gilberto Freyre) , que não escondiam sua simpatia pelo regime militar. Atribuem a exclusividade do destino de Simonal a um racismo por ele ser negro. Por mais que eu despreze o que a esquerda fez com ele, tenho dificuldades para aceitar que essa esquerda tivesse um ranço racista. Simonal havia quebrado várias barreiras da raça, o povo praticamente nem parava para pensar na cor de sua pele. Eu acho que a exclusividade da campanha contra Simonal decorre muito mais da inveja de seu sucesso, e principalmente, de sua popularidade, que de problemas raciais. As pessoas têm um gosto especial por destruir ídolos. Quanto mais alto o sucesso, maior a vontade de destruir. Pensem no prazer com que algumas pessoas criticavam Sandy e Júnior. Com que certeza alguns afirmavam que Júnior era gay. E os ataque a Alexandre Pires depois que ele cantou para George W. Bush? Para mim, a palavra chave não é racismo e sim inveja...
Quem quiser conhecer mais sobre a vida de Simonal, assista ao ótimo documentário de 2009, "Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei", dirigido pelo integrante do Casseta & Planeta, Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal. Segundo Cláudio Manuel, Simonal "pagou uma pena dura demais, desproporcional para uma surra, porque sua condenação foi até o fim da vida. Para ele, não teve anistia".
Há anos que venho falado do Auto-Tune aqui. Até tutorial ensinando a detectar o seu uso já fiz. Mas foi só um rapper fazer uma música criticando a coisa que todo mundo fala dela?? Isso não é justo...
Leiam essa matéria na íntegra porque vale a pena ver o que alguns "cantores" falam sobre ele. Eles falam como se usar o autotune fosse alguma qualidade a mais que eles possuem. Hilário foi ouvir Fergie, uma cantora que eu já até citei aqui como sendo uma das que detectei um autotune ferrado nos agudos, dizer que usa "com bom gosto". Bom gosto, minha filha, é saber cantar...
"Photoshop musical" não deixa cantor desafinar
Se para capas de revista sumir com rugas e gordurinhas é trabalho para o Photoshop, na música o segredo para afinar o gogó é o Auto-Tune. No último mês, o software criado em 1997 virou notícia e alvo do rapper Jay-Z, que lançou a música "D.O.A. (Death of Auto-Tune)" --"morte ao Auto-Tune".
Na carona, Wyclef Jean lançou "Mr. Auto-Tune", em que canta: "Sou o sr. Auto-Tune/ Se você desafinar/ Transformo você em celebridade". Reações não tardaram: Kanye West tirou-o de seu CD; Mary J. Blige e Black Eyed Peas defenderam o programa. "Usamos com bom gosto", disse Fergie.
Polêmicas à parte, o Auto-Tune e um similar, o Melodyne, são usados todos os dias em estúdios do Brasil e do mundo. Normalmente, corrigem trechos que "passariam despercebidos", dizem músicos e produtores ouvidos pela reportagem.
"Não se pode dizer que quem usa esses programas não canta bem. Na verdade, eles permitem que se aproveite uma gravação mais emotiva, que pode ter saído do tom em algum momento", diz Jorge Vercilo. "No meu DVD, supervisionei o trabalho do afinador e desfiz correções que o programa tinha feito em trechos que "passeavam pelas notas", um recurso do intérprete que o programa nem sempre entende."
Fábrica de mentiras
"Os puristas dizem que você tem que cantar sem errar, mas sou prático", diz Rogério Flausino, do Jota Quest. "Gravo tudo num dia e repasso com o técnico no outro. O cantor deve arrumar a afinação porque é ele quem sabe o que cantou."
Preta Gil, que usa o programa "em detalhes", acha que há exagero. "Tem cantor que relaxa porque o programa depois corrige. Mas ele também tira a espontaneidade. E tem muita cantora nova com voz de pato por causa do Auto-Tune."
O produtor Deeplick, que já trabalhou com Wanessa Camargo e Seu Jorge, concorda. "Ouço pessoas que me dão a impressão de não cantarem nada, de serem construídas." "Mas cantor montado não faz sucesso, desaponta ao vivo", diz o produtor Luis Paulo Serafim, que já trabalhou com Maria Bethânia e Rita Lee e ganhou sete Grammy. "O Auto-Tune é a fábrica de mentiras da nossa música, deixa qualquer um afinadinho. Mas o público percebe que soa pior."
Apollo Nove, que já produziu de Otto a Bebel Gilberto, não usa mais o programa. "Já fiquei uma semana de segunda a quinta passando Auto-Tune numa música [risos]. Mas desencanei, ele dá uma detonada na voz. O melhor som é o puro."
"Como público, acho legal os efeitos do software. Mas meu interesse em um cantor que não canta direito e usa o programa como maquiagem é bem pequeno", diz João Marcello Bôscoli, presidente da Trama. Brendan Duffey, que já produziu bandas como Linkin Park e Maroon Five, disse à Folha se irritar com os puristas. "A tecnologia muda a arte. Pra que deixar seu disco meio estragado se ele pode ficar superbonito com tecnologia?".
Para os fãs de Kiara Rocks, uma ótima notícia; o clipe da música "Últimos Dias" está tocando na MTV!! O Cadu, vocalista, já tinha me avisado disso, mas eu achei que seria uma vez só que apareceria, mas está passando regularmente. Hoje liguei de manhã na emissora e, logo na segunda música, eu ouço uma batida e penso "Ué! Eu conheço essa música", olho pra tela e tá lá o clipe!!
Parabéns aos meninos que estão tendo um merecido reconhecimento da qualidade do seu trabalho. E aos fãs, não durmam no ponto, assistam e divulguem. Se tiver ainda aqueles programas onde se vota num clipe, votem!!
Edu Casuccio, comentarista habitual aqui do Diário, resolveu se dedicar a uma empreitada nova: Selecionar as 100 melhores músicas de Videogame. Ele já fazia listas nesse assunto, mas agora a coisa vai ser mais rígida. Vai ter uma pequena ficha técnica com as informações, inclusive o nome do compositor da música e o vídeo será feito com cuidado, em vez de só uma foto e a música tocando vai ter um vídeo mesmo, com imagens do jogo, tentando resumir a história do jogo ou do personagem ou fase ao qual pertence a música. Fora isso, vai ter só uma música por jogo, garantindo estilos musicais bem diferentes.
O primeiro video é esse aqui:
A música tem clara influência das músicas new age com tendência a world music, com um ritmo sincopado, meio tribal, sobre o qual se destaca uma linha melódica. Apesar do compositor ser japonês (e tem compositor de música de videogame que não seja japonês?), o estilo foge do tradicional oriental.
Os 3 primeiros video estão bem escuros. Até que vi uma luz no teto do palco e pedi pra acenderem e melhorou bastante. Imagina a petulância minha. Chegar numa igreja desconhecida e ainda ir pedido pra acender lâmpada... kkkk