Bem, fugindo mais uma vez do tradicional, vou postar sobre uma música em particular. Para quem não sabe, eu adoro uma música chamada Canon e Giga em Ré Maior de Pachelbel, compositor do Sec. 17. Já tive até essa música como toque do meu celular. Para quem não sabe do que estou falando, veja o video abaixo.
Pois qual não foi a minha surpresa ao descobrir uma versão rocker para essa música, feita por um jovem guitarrista taiwanês, chamado Jerry Chang, ou Jerry C. Ele denominou sua versão de Canon Rock. Chegou a me lembrar os bons tempos do Rock Progressivo, quando os grupos faziam suas versões de peças eruditas. Ouçam e comparem.
Continuando na minha cruzada solitária na tentativa de divulgar cantores que acho bons, aqui vamos com mais um...
JAMES MORRISON
James Morrison é um cantor e guitarrista inglês, nascido em 1984 e que se tornou um sucesso praticamente instantâneo em 2006, após o lançamento de seu primeiro álbum, "Undiscovered", chegando ao primeiro lugar em vendas no seu país natal ainda na primeira semana de vendas, chegando a Disco de Platina. Logo se seguiu o sucesso internacional, subindo nas paradas de toda a Europa, Austrália e Japão, com 2 milhões de CDs vendidos em todo o mundo.
Vindo de uma infância pobre e autodidata, graças a um representante da editora Polydor, Morrison foi convidado a fazer uma apresentação ao vivo para a produtora. Daí veio a oportunidade de gravar o seu álbum de estreia. A produção de "Undiscovered" ficou a cargo de Martin Tenerife, tendo o disco saido em Agosto de 2006. No Outono do mesmo ano, o músico acompanhou Corinne Bailey Rae numa série de concertos, abrindo os espetáculos.
Com influências de Otis Redding, Al Green, Cat Stevens, The Kinks e Van Morrison, ele trilha num estilo bem próprio baseado no Pop Rock, mas com bastantes toques de blues, soul, e até R&B, com um vocal que nos lembra o gospel (no bom sentido).
Em fevereiro de 2007, ele ganhou o Brit Award de Melhor Cantor.
Seu primeiro e, até agora, único álbum "Undiscovered" tem 11 faixas, com alguns hits como "You Give Me Something", "Wonderful World".e a faixa título.
Sua interpretação, algo melancólica, nos faz lembrar de um Jamie Cullum mais afinado e menos doido. Ele declarou que já morreu 4 vezes, tendo sido ressuscitado pelos médicos, pois sofria de uma condição respiratória quando bebê. Talvez esse flerte constante com a morte seja o motivo dessa melancolia em suas interpretações.
Espera-se ainda para 2008 o seu segundo álbum. Mas um motivo para que vocês conheçam o seu trabalho o quanto antes.
Acho que qualquer um já ouviu falar em Sivuca. Mas acredito que poucos realmente o conhecem. Geralmente o víamos acompanhando algum cantor no Fantástico, com pouquíssimo destaque da mídia para o seu valor. Recentemente ganhei um DVD dele. Aliás, o único que ele lançou. Desde "O Alabê de Jerusalém" que não ficava tão bem impressionado com um DVD nacional. Por isso resolvi postar alguma coisa sobre Sivuca aqui.
Sivuca é o apelido e nome artístico de Severino Dias de Oliveira. Nascido em 26 de maio de 1930 em Itabaiana-Paraíba. Já aos 9 anos ganhou do pai sua primeira sanfona, passando a se apresentar em feiras e festas populares, pelo interior do Nordeste até 1945, quando se mudou para o Recife.
Em 1948 ingressa na Rádio Jornal do Comércio e estuda harmonia durante 3 anos com o famoso maestro Guerra Peixe, um dos maiores do Brasil. Entre 1950/52 faz temporadas na Rádio Record, em São Paulo, grava seu primeiro disco, em parceira com Humberto Teixeira, e que continha o seu primeiro grande sucesso, "Adeus, Maria Fulô" (que foi regravado numa versão psicodélica pelos Mutantes, nos anos 60).. Continua no Recife até 1955. Nesse período faz trilhas sonoras para novelas da Rádio Jornal do Comércio e lança outro disco.
A partir de 1955, foi morar no Rio de Janeiro, onde permaneceria até 1958. Nesse período, é contratado para tocar na Rádio Tupi e na recém-fundada TV Tupi, a primeira emissora de televisão do Brasil. Também nesse período compõe, arranja e grava trilhas sonoras de dois filmes e grava mais dois LPs. Em 1958 faz sua primeira temporada na Europa, com o grupo Os Brasileiros, apresentando-se no Olimpia em Paris.
No ano seguinte retorna a Europa, residindo em Lisboa e Paris até 1964. Em Portugal, como produtor, lança o primeiro disco de música angolana. Na França grava mais dois álbuns, ganhando o prêmio de melhor músico do ano, concedido pela imprensa francesa. Em 1964 passa a morar nos EUA. Começa a trabalhar como instrumentista e diretor musical de Miriam Makeba, de 1965 a 1969, quando então arranja e grava o sucesso internacional "Pata-Pata". Nessa época, é aplaudido em pé no Carnegie Hall, New York.
1968 - Miriam Makeba - Pata-Pata (Sivuca está ao violão)
Em 1968 inaugura o segundo canal de TV da Suécia, época em que também grava vários discos. Como instrumentista de Harry Belafonte em 1970, em NY, toda violão, teclados e sanfona até chegar a também, arranjador e diretor musical daquela companhia. Em 1971 é convidado como arranjador e instrumentista para um especial com Julie Andrews e Harry Belafonte na TV NBC. Toca violão/sanfona, faz vários arranjos para orquestra de cordas e, em parceria com o compositor/arranjador Nelson Riddle escreve a 4 mãos um outro arranjo de uma canção escrita para Julie Andrews homenagear o pintor Vincent Van Gogh.
1969 - Transmissão da TV sueca
Atua intensamente no importante disco "Belafonte...Live!" gravado pela RCA em 1972. Nesse mesmo tempo faz em NY os dois discos pela gravadora Vanguard sendo um deles o registro ao vivo do show que ficou uma longa temporada no Village Gate. Outro álbum, "Joy", de uma peça musical que ficou em cartaz por um ano nas cidades de São Francisco, Chicago e New York, além do "Natural Feelings" gravado com Hermeto Pascoal, Flora Purim e Airton Moreira.
Em 1973 realiza a trilha sonora de seis filmes de curta metragem sobre Pelé e o futebol brasileiro para a TV Educativa americana, recebendo por isso uma indicação para o Grammy e vários prêmios, inclusive na União Soviética. Também nessa época deixa sua marca de sanfona e voz no antológico solo improvisado no disco de Paul Simon e outro no de Bette Midler.
Em Paris, 1976, tocando também violão, faz parte de importante especial da TV francesa com Harry Belafonte e Marcel Marceau. Logo depois volta a morar no Brasil, no Rio de Janeiro, de onde parte para dezenas de turnês por todo o território nacional; grava diversos especiais para TV; ganha vários prêmios como arranjador, compositor e instrumentista; participa de festivais de diversos estilos musicais; faz arranjos para dezenas de cantores brasileiros; escreve, arranja e grava trilhas sonoras para filmes. Ao longo desse tempo registra mais 9 LPs, além de participação nos álbuns de outros artistas.
Vejam aqui, ele acompanhando a insuperável Clara Nunes em "Feira de Mangaio", uma de suas obras mais bonitas.
Em 1985 escreve sua primeira peça sinfônica, o Concerto Sinfônico para Asa Branca. Durante anos aprimora-se nessa escrita, criando, arranjando e orquestrando 7 peças sinfônicas. Com esse repertório, faz vários concertos com as grandes orquestras do Brasil, grava com as Orquestras Sinfônicas da Paraíba, do Rio Grande do Norte, de Compenhagen e chega ao CD "Sivuca Sinfônico" (2005).
Virtuose
Continua a se apresentar nos palcos europeus, ora com seu grupo brasileiro, ora com big bands e artistas locais. Desse trabalho resultam vários discos. Em 1992 lança o CD "Pau Doido" com a banda e o repertório da turnê européia daquele ano, conquistando um outro Prêmio Sharp. Em 1994, em Paris, inaugura o Teatro da Cité de la Musique e reinaugura o Teatro Desjazet. Em 1999 recebe o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Paraíba. Inicia em 2003 os arranjos para quinteto de cordas e grava o CD "Sivuca e Quinteto Uirapuru", lançado em 2004, ganhador do Prêmio Tim de Música. Neste mesmo ano, o CD "Cada um Belisca um Pouco" com Dominguinhos e Osvaldinho, é editado pelo selo Biscoito Fino e ganha outro prêmio Tim e outra indicação ao Grammy.
Entre 2004/05 faz os arranjos e realiza a gravação do CD "Terra Esperança" . Em 20 de novembro de 2006 lançou um DVD, totalmente produzido na Paraíba, “Sivuca – O Poeta do Som”, em homenagem aos seus 75 anos, que contou com a participação de 11 grupos da Paraíba (160 músicos) convidados, de formações distintas: camerata, quinteto de cordas, big band, sexteto de trombone, quinteto de sopro, quarteto de sax, quinteto de metais, grupo de jazz, de choro e de forró pé de serra, além da Orquestra Sinfônica da Paraíba. Foram gravadas 13 faixas, além de duas reproduzidas em parceria com a Orquestra Sinfônica da Paraíba. Importantes registros que comprovam a polivalência, o talento e a sensibilidade deste profundo músico popular/erudito, que transita por todos os instrumentos e modalidades musicais, do clássico ao forró, passando pelo jazz, com a naturalidade e a consciência de um verdadeiro mestre.
Resolvi postar no Youtube, aquele que considero o ponto alto desse DVD. "Festa de Mangaio", num arranjo orquestral magnífico. Comparem com a versão cantada por Clara Nunes. Observem como Sivuca consegue integrar uma banda de forró a uma orquestra sinfônica sem que pareça haver alguma discrepância entre os instrumentos. Também observem, a partir de 4:30, como ele brinca com variações sobre o tema original, chegando a um estilo barroco que nos lembra Bach. Não é pra menos que a abertura desse DVD traz Sivuca tocando a Tocata e Fuga em Ré Menor de Bach.
Cerca de 1 mês após o lançamento desse DVD, que era seu grande sonho, morre em 14 de dezembro de 2006, aquele que levou a música e os ritmos de nosso país a um grande público estrangeiro. Sivuca contribuiu significativamente para o enriquecimento da música brasileira, sendo reconhecido em todo o mundo por seu trabalho. Suas composições e trabalhos incluem, dentre outros ritmos, choros, frevos, forrós, baião, música clássica, blues, jazz, entre muitos outros.
Discografia Motivo para Dançar (1956) Motivo para Dançar Nº 2 - Sivuca e Seu Conjunto (1957) Rendez-vous a Rio (1965) Golden Bossa Nova Guitar (1968) Sivuca (1968) Putte Wickman & Sivuca (1969) Sivuca (1969) Joy - Trilha Sonora do Musical - Oscar Brown Jr. / Jean Pace / Sivuca (1970) Sivuca (1972) Live at the Village Gate (1973) Sivuca e Rosinha de Valença Ao Vivo (1977) Sivuca (1978) Forró e Frevo (1980) Cabelo de Milho (1980) Forró e Frevo Vol. 2 (1982) Vou Vida Afora (1982) Onça Caetana (1983) Forró e Frevo Vol. 3 (1983) Forró e Frevo Vol. 4 (1984) Sivuca & Chiquinho Do Acordeon (1984) Som Brasil (1985) Chiko's Bar - Toots Thielemans & Sivuca (1986) Rendez-Vous in Rio Sivuca / Toots Thielemans / Silvia (1986) Sanfona e Realejo (1987) Let's Vamos - Sivuca & Guitars Unlimited (1987) Um Pé No Asfalto, Um Pé Na Buraqueira (1990) Pau Doido (1993) Enfim Solo (1997)
Informações obtidas do encarte do DVD e da internet.
Keisha White é uma nova cantora inglesa de R&B. Até o momento
ela lançou dois álbuns: Seventeen, lançado em 2005; e Out Of My
Hands, lançado em 2006 e que foi o motivo de seu sucesso
atual.
Com uma interpretação incrivelmente madura para seus 18 anos,
quando lançou seu segundo CD, ela vem conquistando fãs ao redor do mundo
todo.
Tudo começou aos 14 anos, quando ela foi
convidada para cantar diante dos executivos da Warner Records. Eles ficaram tão
impressionados que assinaram um contrato no ato. Em 2004, ela lançou seu single
de estréia "Watcha Gonna Do". Também gravou o tema da série de TV "Tracy
Beaker".
Após um sumiço de um ano, Keisha surge com
seu segundo single: "Don't Care Who Knows", mudando seu estilo para um R&B
mais sentimental e tendo a participação do rapper Cassidy. Até hoje é uma de
suas músicas de maior sucesso.
Logo após ocorreu o lançamento de seu primeiro
álbum, Seventeen, uma alusão à sua idade. O álbum teve uma péssima
repercussão e hoje está retirado do catálogo. Seu terceiro single, "Don't Fool a
Woman in Love", também não obteve o sucesso esperado.
Após um novo período de afastamento, ela lança um
novo single "The Weakness In Me" que, finalmente, obtém o sucesso merecido. Até
hoje, é a minha música favorita dela, com uma letra forte e uma interpretação
intensa. Sua voz, nessa música, sofre forte influência de sua amiga, Alicia
Keys.
Seguindo esse sucesso, o seu segundo álbum Out
Of My Hands, foi lançado. O segundo single desse álbum, "Don't Mistake Me"
(porque "The Weakness In Me" também consta desse álbum), se tornou um sucesso
imediato. Na verdade, esse segundo álbum conta com metade das músicas do seu
primeiro álbum, motivo pelo qual o primeiro foi recolhido. Outro single desse
álbum, "I Choose Life", chegou a fazer sucesso até aqui no Brasil, talvez por
ser uma versão de uma canção de Celine Dion, "Ain't Gonna Look The Other
Way".
Coloquei uma Playlist para vocês terem uma
idéia do trabalho dela. Também podem visitar o myspace
dela. www.myspace.com/keishawhitemusic
Após uma pausa causada pelos meus problemas com artefatos eletrônicos, vamos retomar a linha do tempo do Rock Progressivo. Eu ainda estou atrasado na revisão de álbuns desse ano, portanto irei dividir em duas postagens novamente. Esse foi o primeiro ano a termos álbuns de todos os 7 grandes grupos do Prog inglês (ou 8, se incluirmos VDGG). Ou seja, a brincadeira começou a ficar séria esse ano. Não tivemos muitas novidades em termos de novos grupos a se formarem, somente Kansas (Proto-Kaw), Matching Mole, Camel e Styx. Desses, somente Camel teve mais importância. A partir desse ano eu não irei mais incluir nos exemplos musicais os representantes do Canterbury Sound e psicodelismo puro, pois já temos bastantes grupos de Prog autêntico para exemplificar. Vou começar a focar no que tem qualidade e no progressivo sinfônico de preferência, pois é o que eu gosto. e foi o motivo do início da série.
Ache - Green Man Banda dinamarquesa que havia estreado no ano anterior com o álbum "De Homine Urbano" e que lança, em 1971, o álbum "Green Man". No primeiro álbum eles têm trabalhos bastante progressivos como a ótima faixa título, que tem 19 minutos e "Little Things" (essa com uns toques de jazz) de mais de 18 minutos. Chega a lembrar Procol Harum em algumas partes. Já no segundo álbum, seu estilo enveredeou também para o jazz-rock e um pouco de experimental. Na faixa "Acheron", aliás, o estilo é o que eu chamaria de "jazz de restaurante". Sabe aquele jazz que toca em restaurante chique? É isso. Mas ainda tem muita coisa progressiva, além de uma faixa cover dos Beatles, com modificações. Nesse álbum está o seu maior sucesso de todos os tempos: "Shadow of a Gipsy". O grupo, após 20 anos de separação, de reuniu em 2003 e tem um site com noticias e fotos desde sua criação: http://www.achesite.dk/
Beggars Opera - Waters of Change Esse grupo está rapidamente se tornando um dos meu favoritos "desconhecidos". Lamentavelmente não ficou tão conhecido como outros. Enquanto alguns grupos oscilavam entre o progressivo, o psicodélico e o experimental, eles preferiram se manter no progressivo mais tradicional (já era tradicional em 1971??). Destaques para "Time Machine", "Silver Peacock" e "The Fox". "I've No Idea" tem um belo solo de orgão Hammond pra quem gosta, como eu. "Nimbus" chega a antecipar a música New Age, que surgiria somente anos depois. Em "Festival" existe um trecho bastante parecido com "Third Stone from the Sun" do Hendrix. Plágio ou citação?
Can - Tago Mago A banda alemã ficou bastante famosa em seu país, inclusive com músicas em trilhas sonoras de diversos filmes. Esse álbum é considerado por alguns como sendo o melhor da enorme discografia do grupo, que sofreu influência do psicodelismo de Pink Floyd. O álbum tem até música em japonês. Afinal, o Japão rapidamente se tornou um dos países com o maior número de fãs de Rock Progressivo. Ainda hoje existe bastante mercado para esse estilo lá. Mesmo sendo o melhor, o disco ainda é bastante experimental e o estilo desse grupo está longe de representar o Rock Progressivo que pretendi apresentar quando iniciei essa série. Por isso, após esse que é considerado o ápice do grupo, não irei mais comentar sobre ele, me limitando a citar os nomes dos álbuns seguintes.
Comus - First Utterance Grupo inglês de folk-rock. Utiliza uma mistura de sonoridades que vai do experimental ao medieval, passando pelo oriental com bastante influência da música indiana. Não tem muito a ver com o estilo que queremos comentar aqui, embora eu ache que Jethro Tull também está mais para folk-rock do que para prog, mas sua influência sobre o rock progressivo é inegável. Em alguns momentos parece que eles forçam um pouco para serem inovadores, com mudanças vocais que mais se assemelham a um ET cantando, o que afeta um pouco a apreciação da melodia, muitas vezes bastante agradável. Apesar disso, vale a pena conhecer o trabalho desse grupo, que é bastante original e interessante. Inclui alguns exemplos, apesar de fugir do estilo, para conhecimento dos leitores.
Cressida - Asylum Segundo álbum desse grupo bastante agradável, embora pouco inovador. Muito solo de órgão Hammond, com uns trechos que até antecipam Rick Wakeman. Algumas músicas puxam um pouco para o jazz, mas nada que justifique receber a classificação de jazz-rock. Destaque para "Munich" (minha favorita) e "Survivor".
Eloy - Eloy Grupo alemão que estréia num estilo mais para o hard-rock e depois, com a mudança de alguns integrantes, passaria para o progressivo. Também famoso por, alguns anos mais tarde, copiar descaradamente o estilo do belissimo logotipo do Yes (a primeira vez que vi, pensei "que álbum do Yes é esse?"). Alguns acham que não é só o logotipo de outros grupos que eles copiam... Nesse álbum de estréia tem uma única música com tendências progressivas: "Isle of Sun", mas também não é horrível. Dá pra ouvir mesmo não gostando de hard-rock.
Emerson, Lake & Palmer - Tarkus Logo na primeira faixa, "Tarkus", de mais de 20 minutos, eles mostram seu estilo único, já antecipando o que fariam em "Brain Salad Surgery" 2 anos depois. A gente ouve e já diz que é ELP. "The Only Way", no seu início, chega a parecer um hino sacro daqueles compostos por Bach. Outra faixa interessante é "A Time and a Place". Para meu espanto, eles terminam o álbum com um típico rock'n roll "Are You ready Eddy?".
Faust - Faust Não se trata do doutor que vendeu a alma ao diabo, mas de um grupo de rock experimental alemão, parte daquilo que viria a ficar conhecido como Rock in Opposition. Nesse álbum só existem duas faixas, uma de cada lado. A primeira, composta por vários títulos, é muito experimental para o meu gosto, com mudanças constantes de melodia, estilo e ritmo. Já a segunda, "Miss Fortune", é mais melódica e aceitável, com uma tendência a psicodelismo.
Genesis - Nursery Cryme Álbum onde estreiam na banda não só Steve Hackett na guitarra, como Phil Collins (esse mesmo) na bateria. Com essas duas aquisições de peso, o grupo teve um salto de qualidade e esse álbum é bem melhor que os anteriores. Destaque para "The Musical Box", "The Return of the Giant Hogweed" e "The Fontain of Salmacis". É interessante ver como o modo de cantar do Peter Gabriel influenciou Phil Collins.
Gentle Giant - Acquiring The Taste No segundo álbum, houve uma ligeira queda de qualidade. O grupo lança um álbum com influências tanto de música medieval (com semelhança às canções de trovadores) quanto de música moderna, chegando a tocar no atonalismo. Em poucas partes essas influências realmente dão certo. A meu ver muito hermético e pouco melodioso. Insisto que a música pode até ser inovadora, transgressora, "complicada", mas tem que ser agradável aos ouvidos.
Hawkwind - In Search Of Space Segundo álbum do grupo, que prossegue no estilo psicodélico, embora com toques progressivos. Talvez por essa influência, o seu psicodelismo é bem mais agradável aos meus ouvidos que o de outras bandas. Destaques para "You Know You're Only Dreaming", "Master of The Universe", "Seven By Seven" (a melhor) e "Silver Machine".
Jethro Tull - Aqualung Primeiro álbum considerado realmente progressivo do grupo. Já se notam mais solos de guitarra e teclados. Essa capa me assustou tanto na minha infância (além do aspecto repulsivo dos integrantes do grupo) que eu sempre tive "medo" dessa banda. Tinha uma resistência incrível a ela, por achar que seria algo "pesado" demais. Quem vê cara não vê estilo musical... Destaques para a faixa título, "Cross Eyed Mary", "Mother Goose" (que lembra Simon & Garfunkel), "Wondr'ing Aloud", "My God", "Wind Up" e "Lick Your fingers Clean". O Jethro Tull na época para entenderem minha resistência...
King Crimson - Islands Ao contrário do Gentle Giant, o Crimson, lança um álbum bastante melódico. O grupo, que havia enveredado pelo jazz-rock, começa a retornar ao Prog, embora somente uma faixa, "Sailor's Tale", seja inteiramente progressiva. Ainda tem muita influência do Jazz. Mas o álbum é bastante audível e tem faixas com claras influências da música indiana ("descoberta" depois que os Beatles tiveram aquele retiro espiritual com o guru Maharishi Mahesh Yogiem Rishikesh). Destaque para a já citada "Sailor's Tale", "The Letters", a belíssima "Prelude: Song of the Gulls" com um pizzicatto das cordas que mais parece uma obra erudita pura e, por fim, para a alternância de solo e coro em "Ladies of the Road" que claramente provém dos Beatles e, mais tarde, influenciou Queen em "Somebody to Love" e "Bohemian Rhapsody".
Pink Floyd - Meddle Uma das capas mais esquisitas da história. Traz um superclose de uma narina! Agora não tem dúvida. Não me venha Jeferson A. Pereira dizer que foi só em 1972 que o Pink Floyd se tornou progressivo que eu não posso concordar. A abertura de "One of these days" é rock progressivo puro! E isso até ele admite. Então, se não foi em 1970, foi em 71 que o grupo começou a migração de psicodelismo para progressivo. Além da faixa citada, outras merecem ser conhecidas: "A Pillow of Winds" (psico-prog) e "Echoes" (uma faixa de 23 minutos!) que tem um trecho que lembra muito o tema do "Phantom of the Opera" de Lloyd-Weber. Van der Graaf Generator - Pawn Hearts Considerado por muitos seu melhor álbum. Na verdade, eu o acho "diferente". Nele, o vocalista deixa de lado aquela "paradinha" que eu já descrevi e passa a alternar um modo bastante hard de cantar, com um falsete que já era seu habitual. Vocalmente não é um álbum que me agrada, mas a parte instrumental mostra uma clara evolução. "Man-Erg" é a melhor música do álbum a meu ver, embora ela comece numa tentativa clara de imitar o estilo de "Refugees". Destaque também para a enorme (mais de 23 minutos) "A Plague of Lightfhouse Keepers".
Yes - The Yes Album Álbum de estréia de Steve Howe na guitarra. Agora sim o grupo se decide de vez pelo Rock Progressivo, lançando um disco muito bom, que tornaria o grupo realmente conhecido. O álbum já começa com uma música longa (9:41), "Yours is No Disgrace", com uma longa abertura e trechos intermediários instrumentais que já antecipavam o estilo que seria marca do grupo. O final dessa música é totalmente não usual para a época. O tecladista ainda não era Wakeman, mas deu conta do recado. Em "Clap" Steve Howe diz ao que veio tocando guitarra acústica sozinho a música toda e dando um show. Talvez essa faixa tenha dado a idéia do álbum Fragile, com várias faixas solo de cada integrante. Nesse álbum, o primeiro grande sucesso: "Starship Trooper", música que acompanhou o grupo para sempre. Até quem não acompanha o Prog conhece essa música!! Já "Perpetual Change" é menos conhecida, embora com um estilo bastante progressivo e típico do Yes.
Yes - Fragile Agora é a vez de Rick Wakeman entrar no grupo, arrasando nos teclados. Sucesso total! O álbum chega a ficar entre os 10 mais tocados na parada americana. Na verdade, é quase um álbum solo em conjunto. Como é que é? Isso mesmo. Cinco faixas são solos de cada um dos integrantes da banda. Outras 4 são conjuntas. A capa já tem um embrião do que seria a logomarca do grupo, uma das mais belas já feitas para um grupo musical. Destaques para "Roundabout", "Cans and Brahms" (a faixa solo de Wakeman), "South Side of the Sky" (onde Wakeman já antecipa soluções usadas em "Seis Esposas..." e "Viagem ao Centro da Terra") e "Heart of the Sunshine".
Agora, eu espero que os leitores mais fieis já estejam conseguindo reconhecer o estilo do rock progressivo e até já estejam detectando outros grupos posteriores. E mais do que isso, espero que estejam gostando do estilo e definindo seus preferidos!
O Selo Atração tem vários artistas interessante, inclusive alguns ex-calouros do PRG, tais como Charlles Henrique, Dannilu e Marry. Quem tem interesse em acompanhar as carreiras desses artistas precisa conhecer seus CDs.
Muita gente pode estar acompanhando a série sobre Rock Progressivo e se perguntando: "Mas o que aconteceu com esse estilo? Como foi que acabou?". Ainda pretendo escrever sobre minha teoria da evolução do Prog, mas antes disso preciso falar desse CD, lançado em 2007.
Para quem não sabe, André Matos (não é o ator cômico gorducho!!) é um cantor brasileiro, um dos maiores vocalistas de Rock do mundo e considerado por muitos como o maior do Brasil (embora ele discorde). Não falo isso por ufanismo brazuca, que sou avesso a isso, mas é a mais pura verdade. Críticos estrangeiros concordam.
Confesso que não conhecia André Matos até ouvir Avantasia. Aliás, conheço muito pouco de Heavy Metal e o pouco que estou conhecendo estou adorando. Será que ainda dá tempo de deixar meu cabelo crescer?
Após um tempo como vocalista da banda Viper, depois Angra e posteriomente da Shaaman, André se lançou em carreira solo.
"Time to be Free" é a inauguração dessa carreira solo. Lançado primeiro no Japão e, posteriormente, no resto do mundo. Um disco maravilhoso, imperdível para os fãs de Heavy Metal e aconselhável a qualquer um que goste de Rock e de boa música.
Por que eu comecei falando de Rock Progressivo? Porque André pode nem saber disso, mas o rock que ele faz é progressivo! "Ah, mas é Heavy Metal". Mas claro que é. E quem garante que, se o Metal já não existisse em 1970, alguns dos grupos progressivos não iriam usar a batida do Heavy Metal? E o que dizer do assim chamado Metal Progressivo? Por que uma coisa é incompatível com a outra? Não é.
Esse CD tem uma estrutura MUITO parecida com a de vários álbuns progressivos e vou comentar justamente sobre isso.
FAIXAS 1 - Menuett - O disco começa com uma faixa de 48 segundos com o som de uma orquestra afinando instrumentos e começa um tema erudito e barroco. Apesar do nome da faixa, o que ouvimos não é um minueto e sim uma fuga, considerada a forma de composição mais difícil que existe. 2 - Letting Go - A primeira faixa não tem fim, se continuando com a segunda, que muda o estilo da composição, acrescentando a banda de rock. André canta em inglês. Não sei, mas parece que inglês é o melhor idioma para se cantar rock, particularmente Metal. Os idiomas possuem uma coisa chamada prosódia, a melodia da voz naquele idioma. Talvez isso explique essa relação inglês-rock. A música mistura os tradicionais instrumentos de banda de rock, orquestra sinfônica, um orgão tradicional. A voz do André é um capítulo a parte. Uma precisão impressionante, associada a uma doçura na voz que poucos cantores de Heavy Metal têm, pois geralmente possuem uma voz mais ácida. Quem gosta de Avantasia não tem como não gostar desse álbum, pois o estilo é o mesmo e muitas vezes uma música dele nos lembra de alguma da Metal Opera. 3 - Rio - Música mais pesada que a anterior. Seu estilo nos lembra "The Final Sacrifice" de Avantasia. É uma declaração de amor ao Rio. Quem disse que só Bossa Nova pode fazer isso? 4 - Remember Why - Essa música começa mais como uma balada na qual podemos ouvir as "duas vozes" de André. Sua voz natural (que ele usaria caso tivesse a infeliz idéia de ser um cantor pop romântico) e sua voz rocker. Depois a música vai acelerando e ficando mais pesada. O estilo dessa música seria um Genesis (na época progressiva) se Genesis fosse Heavy Metal. Com lindos solos de guitarra e uma batida muito boa, que lembra até "The Tower" de Avantasia. 5 - How Long - Nossa! Se ainda existissem aquelas propagandas dos cigarros Hollywood com cenas de esportes radicais ao som de alguma banda de rock, essa música seria uma escolha natural para uma propaganda daquelas. 6 - Looking Back - Outra música que começa com a voz natural de André (que, aliás, também é linda). Essa poderia tocar em qualquer radio de rock ou até rock-pop sem problema. No meio da música, um solo de guitarra alternado com uma orquestra que poderia muito bem estar num disco de Prog. 7 - Face the End - Uma das mais bonitas do CD, uma música feita para terminar relacionamentos!! Uma orquestração perfeita, não predominando nem se apagando ao fundo da banda. 8 - Time to Be Free - A faixa-título do CD tem 8:33 minutos. Outra característica progressiva: músicas de mais do que os 4 minutos e pouco impostos pelas radios. Tem uma batida de percussão que lembra alguns trechos de Avantasia. 9 - Rescue - A música começa com um tema indígena brasileiro que é misturado e, posteriormente, substituído por um rock acompanhado de uma orquestra. Misturar música tradicional (ou oriental) com rock também foi feito por muitos grupos de Rock Progressivo. Com um refrão lindo, onde uma frase musical vai sendo repetida progressivamente. As partes instrumentais misturam a banda com instrumentos pouco usuais. 10 - A New Moonlight - A maior faixa do CD e uma das mais bonitas. Essa é uma das obsessões de André Matos: a Sonata ao Luar de Beethoven. Ele já fez várias versões rockers dela ao longo de sua carreira. Nessa, ele assina a letra e a música. A música é uma nova roupagem para a Sonata com alguns toques, no final, que remetem a "Ne me quite pas". Mas fazer versões rockers de músicas eruditas não era algo que foi inaugurado pelas bandas de Rock Progressivo? Pois é... 11 - Endeavour - Mais agitada do álbum. Parece que ele pensou : "Se ainda têm dúvidas de que eu canto muito, vou provar agora". Mas o que é isso que estou ouvindo? Um solo de órgão Hammond (a marca registrada dos primeiros grupos de Prog)?? Ah, deixa de brincadeira. Esse CD é de Rock Progressivo e acabou. 12 - Separate Ways (Words Apart) - Essa faixa é bônus e exclusiva para o lançamento no Japão, inexiste nos CDs lançados em outros países. Mas vocês podem ouvi-la na minha Playlist que apresenta todas as músicas do CD. Trata-se de um enorme sucesso do Journey (e que também foi tema de uma das propagandas dos cigarros Hollywood que citei) e acho que todo mundo que estava vivo na década de 80 já ouviu muito.
O CD tem uma produção impecável. Com uma capa onde André segura um objeto iluminado nas mãos, de pé contra um fundo desolado. Com um visual aparentemente baseado nos filmes de Tim Burton, a capa vai se desdobrando aparentemente eternamente até nos depararmos com uma enorme lua. Do outro lado temos as letras e informações detalhadas. André escreve todas as letras (que não têm aquela sensação de letra escrita em português e traduzida para o inglês que se sente em outros artistas nacionais que cantam em inglês) e compõe algumas das músicas. Ele toca o piano ouvido em "A New Moonlight". Também é co-autor de todas as orquestrações. O encarte não fala, mas ele deve assobiar e chupar cana também...
E quem faz uma participação no CD tocando violino elétrico, violino clássico, violoncelo e instrumentos de sopro indígenas?? Ninguém menos que Marcus Viana, ex-Sagrado Coração da Terra, um dos grandes grupos progressivos brasileiros. E depois não é Rock Progressivo?? Sei...
Por fim, o CD é imperdível para as seguintes pessoas: - Quem gosta de Avantasia - Quem gosta de Heavy Metal como um todo - Quem gosta de Rock Progressivo - Quem gosta de bons vocalistas de Rock - Quem gosta de música erudita com roupagem rocker - Quem gosta da Sonata ao Luar - Quem gosta de boa música
Essa semana vamos fazer uma pausa na análise cronológica dos lançamentos e vamos ver um pouco de imagens, já que uma imagem vale mais que mil palavras (particularmente as minhas). Acho importante que vocês conheçam como eram os artistas que estamos mostrando aqui.
Procol Harum
Moody Blues - Trechos
YES - Yours Is No Disgrace
Genesis - The Knife
Jethro Tull - Thick as a Brick
Jethro Tull - Video promocional - Solstice Bells
Jethro Tull - The Whistler
Rick Wakeman - Journey to the Centre of the Earth - The Journey
Sexta-feira, dia 11/04/08, fui ao Blackmore Rock Bar assistir a um tributo aos grandes guitarristas, onde o cantor era, nada mais nada menos que meu grande amigo, professor, consultor financeiro e assessor para assuntos rockeiros, Angelo Bellizia. Fiz videos das apresentações e postei no Youtube.
Desde já, peço desculpas pela péssima qualidade dos videos. Essa camera tem uma sensibilidade péssima, mas uma captação de som ótima. Por isso ainda não troquei por outra com melhor sensibilidade, pois todas que conheci, filmam melhor, mas captam muito mal o audio...
1970 - Segunda
Parte Dando
continuidade a esse ano que foi tão importante para o Rock Progressivo, tivemos
os seguintes álbuns:
Genesis - Trespass Após aquela estréia
constrangedora, o grupo finalmente diz ao que veio com um álbum progressivo
(somente 6 músicas) e bastante agradável. Ainda nada genial, mas bem melhor que
o anterior. Contrariando os críticos do Rock Progressivo que o acusam de
escapista, esse álbum inclui a canção "The Knife", que retrata um demagogo
violento, e "Stagnation", que retrata um sobrevivente de um ataque nuclear.
Melhor música, na minha opinião: "White Mountain".
Gentle Giant - Gentle Giant Um dos
7 grandes do Prog inglês, lança seu primeiro álbum. Dos 7 é o grupo com mais
influência do jazz. A formação gira em tornos dos 3 irmãos escoceses Derek, Ray
e Phil Shulman. Quase todos os músicos que passaram por este grupo eram
virtuoses e grandes compositores. Nesse álbum eles já criaram um dos maiores
hinos do Rock Progressivo: "Funny Ways". O estilo é rock progressivo sinfônico
com uma orquestra inteira tocando junto com a banda, mas em algumas faixas puxa
bastante para o jazz-rock mesmo. No final do disco, eles fazem uma versão rock
do hino inglês (vários grupos fizeram isso, inclusive
Queen).
Hawkwind - Hawkwind Banda inglesa de hard rock
com psicodelismo e toques de progressivo. Dona de uma discografia impressionante
(para o estilo) com 20 discos. A banda ficaria famosa pelos temas de ficção
científica. Nesse álbum de estréia temos desde "Hurry on Sundown" e "Bring it on
Home" que lembram mais folk-country-rock até "The reason is?" e "Seeing as You
Really Are", que são psico-hard-prog, passando por "Be Yourself", uma faixa de 8
minutos que mistura elementos psicodélicos e progressivos. "Mirror of Ilusions"
é a mais agradável, embora psicodélica e sem elementos
progressivos.
Jethro Tull - Benefit Aos poucos o Jethro vai
se encaminhando um pouco mais para o progressivo e deixando aquele ar jazzistico
que o caracterizava, embora nesse álbum ainda tenha muita faixa mais puxada para
o jazz. Os solos de flauta do Ian Anderson realmente são belíssimos. Pena que
não temos mais flautistas no Rock. O álbum tem muita música boa, mesmo as em
outro estilo, mas destaque para "Son", "To Cry You a Song", "A Time for
Everything", "Sossity, You're a Woman" que são um pouco mais adequadas para o
que estamos falando. Se alguém quiser aprender o jeito simples de saber se
está ouvindo Jethro faça assim: se tiver flauta é bem provável. Se o vocalista
cantar com uma voz que lembre mais um cantor de folk-country que de rock, é o
Jethro Tull mesmo...
King Crimson - In the Wake of
Poseidon Segundo álbum do grupo e bem inferior ao de estréia.
Depois de um primeiro álbum totalmente progressivo, eles resolveram enveredar
para o jazz-rock e até para o psicodelismo em algumas faixas. Mas a faixa título
já volta ao progressivo. A música "The Devil's Triangle" é baseada na música
"Marte" da Suíte "Os Planetas" de Gustav Holst.
King Crimson - Lizard Nesse álbum o
grupo continua ousando e parte para um estilo muito mais puxado para o jazz que
para o rock. Achei esse álbum meio "devagar". A música título é a
melhor. Sinceramente, não gostei...
Magma - Magma (Univeria Zekt) Grupo
francês que, juntamente com Gong e Ange, é um dos principais grupos de
progressivo da França. Seu estilo é mais tendendo para o jazz-rock. Só
"Clementine" pode ser chamada de progressiva, embora não seja
rock.
Moving Gelatine Plates - Moving Gelatine
Plates Não se pode reclamar de falta de originalidade nos nomes
das bandas de Rock Progressivo, particularmente o dessa banda francesa, que
mistura guitarras, bateria com metais. Nesse álbum de estréia o estilo alterna
entre um experimental leve e um jazz-rock até que agradável, mas em algumas
composições pode-se notar elementos bem progressivos. A duração das músicas
varia de 2 a 15 minutos. As letras, quando existentes, são muito curtas. Em
"X-25", uma voz distorcida eletronicamente, que mais parece a do ET, estraga a
eventual seriedade da música. Melhor faixa (e a mais longa e progressiva): "Last
Song" (que não é a última do álbum!).
O Terço - O Terço Um dos mais importantes
grupos progressivos brasileiros. Nesse disco, Vinicius Cantuária era o
baterista!! Esse primeiro LP ainda tem pouco de progressivo, com muito mais
jeito de rock'n roll e uma influência de Mutantes. Mistura músicas em português
e inglês. Algumas coisas constrangedoras, como a música "Imagem", um plágio de
Zingara, além de uma versão em português de "Oh! Suzana"(!!). Além disso,
vocalmente eles deixavam a desejar. Flávio Venturini ainda não fazia parte da
banda. Mas vale pela primazia. É o primeiro álbum brasileiro com músicas
progressivas. Destaque para : "Plaxe Voador" (toques progressivos mas sem rock),
"Velhas Histórias", "O Visitante", "Adormeceu" e, como não poderia deixar de
existir num álbum de Prog, existe uma releitura de uma música erudita: um trecho
da Ária extraída da Suíte em Ré Maior de J. S. Bach cantada a
capella.
Pink Floyd - Atom Heart Mother Esse é o famoso
álbum com a vaca na capa!! Jeferson Araújo Pereira, em seu livro "As
Obras-Primas do Rock Progressivo", estabelece o ano de 1972 como o início da
fase progressiva do Pink Floyd. Ao ouvir esse álbum, eu não poderia discordar
mais dessa afirmação. O início da música "Atom Heart Mother", que tem mais de 23
minutos, é tão progressivo que chega a me lembrar trechos de um Rick Wakeman
(com um pouco de exagero da minha parte). Tudo bem que, na metade, volta às
origens psicodélicas do grupo, embora tenha um final progressivo novamente.
Aliás, o álbum é lindo. Até as músicas mais psicodélicas como "If" e "Summer
'68" são interessantes. Merece ser conhecido por todos que estão acompanhando
essa série.
Rare Bird - As Your Mind Flies By Banda
inglesa, muito pouco conhecida (inclusive não está na Enciclopédia de Rock
Progressivo). Seu estilo é o de um Procol Harum, com poucos toques psicodélicos,
com bastante órgão Hammond (a banda tem dois tecladistas) e um vocalista menos
puxado para o blues e mais para o rock. Músicas mais simples e curtas, e uma
maior ("Flight"), de 19 minutos, dividida em 4 partes e que é muito boa,
chegando a antecipar o que Wakeman faria em "Rei Arthur". É um disco bastante
agradável e não sei por que essa banda é tão pouco conhecida
aqui.
Soft Machine - Third Já, por outro
lado, não se pode atribuir originalidade aos nomes dos álbuns desse grupo. Nesse
terceiro álbum temos somente 4 músicas. "Facelift" é bem experimental (demais
para o meu gosto). Só depois de mais de 6 minutos de sons sem sentido, começa
algo com jeito de jazz e, no final, entra uma flauta e fica parecendo Jethro
Tull. O restante do álbum é mais jazz-rock mesmo.
Som Imaginário - Som
Imaginário Grupo formado, dentre outros, por Wagner Tiso, e que
lançou seu primeiro LP em 1970, mas seu álbum mais progressivo seria somente em
1973. Nesse primeiro álbum, muito bom por sinal, mistura-se MPB e
música regional com arranjos eruditos, bastante complexos, com uma
influência de Villa-Lobos e Bernstein. Não é rock, muito menos progressivo, mas
convém conhecer.
Supersister - Present From
Nancy Outro grande grupo holandês. Seu som é bastante agradável,
diferindo da tendência do progressivo continental nessa época, sempre mais
transgressor (mas muito pouco melódico) que o inglês. A faixa título é um
jazz-rock bastante gostoso de se ouvir, mesmo para quem não aprecia
jazz.
Tangerine Dream - Eletronic
Meditation Álbum de estréia desse grupo de progressivo eletrônico
(estilo que é baseado principalmente em sintetizadores). No começo da carreira,
esse grupo (que ainda está ativo) foi muito influenciado pela fase psicodélica
do Pink Floyd. A faixa "Genesis" é experimentação pura. Só em "Journey Through a
Burning Brain" é que algum rock aparece, embora com muita experimentação. Em
"Cold Smoke" a presença de órgão e guitarras dá um certo ar de rock progressivo,
embora bem leve (o ar, não a música, que é pesada). Sinceramente, não gostei
do estilo e dificilmente iria conseguir meditar com essa música ao
fundo...
T2 - It'll All Work Out in
Boomland Grupo inglês, pouco conhecido atualmente, mas que teve
uma carreira meteórica quando do lançamento desse álbum, com várias aparições em
programas de TV. Num estilo psico-prog bastante interessante, eles se
especializaram em apresentações ao vivo, deixando pouco material de estúdio
quando a banda se desfez poucos anos depois.
Walrus - Walrus Grupo inglês de
jazz-blues-rock com toques progressivos. Mistura instrumentos tradicionais de
banda de rock com metais típicos de Big Band. Tem partes com flautas num estilo
antigo e m alguns pontos existe uma percussão que lembra muito músicas de origem
africana. Na verdade, não tem muito a ver com o que estamos falando aqui, pois
seu estilo é radicalmente oposto. "Sunshine Needs Me" ainda se aproxima um
pouquinho de ser progressivo.
Van der Graaf Generator - H To He Who Am The Only
One Musicalmente esse grupo é muito interessante, embora as
letras deixem um pouco a desejar (e quem quer ouvir rock por causa das letras?
Quer conhecer um bom texto? Pegue um livro pra ler!). Em "Killer", uma musica
com uma melodia muito boa, fala-se sobre um peixe que vive no fundo do mar e
mata os outros. A menos que fosse a trilha sonora de um desenho da Disney o tema
não poderia ser menos interessante... Peter Hamill tem um estilo de cantar
que é típico e meio repetitivo. Ele está cantando uma frase e dá uma paradinha
e, em seguida, completa a frase de forma mais intensa ou aguda. Para quem não se
incomoda (como eu) com essa falta de criatividade, tudo bem. Para quem se
incomoda, deve ser uma tortura. "House with no Door" é belíssima e tem até
umas partes que lembram "Song for Guys" de Elton John, e que é posterior. Elton
é um gênio e não precisa plagiar ninguém. É somente uma coincidência musical.
Nessa música Hamill faz aquilo que adora fazer, alternando voz normal e falsete
freqüentemente. Aos mais românticos é uma faixa imperdível. Em "Lost", uma
música de pouco mais de 11 minutos, pode-se detectar alguns temas orientais ao
longo da melodia.
Van der Graaf Generator - The Least We Can Do Is
Wave to Each Other Eu simplesmente não entendo a má vontade de
Jeferson Araújo Pereira (autor de "As Obras Primas do Rock Progressivo") com o
VDGG. Ele diz não gostar de nada desse grupo. Mas esses dois álbuns desse ano
são muito bons. Só "Refugees" já valeria para o grupo merecer ser conhecido. Mas
todas as músicas são progressivas e, se não são tão brilhantes quanto músicas
dos grandes grupos, ainda assim são bastante agradáveis. Alguns destaques, além
da citada "Refugees": "After the Flood" e "Boat of million Years". Para quem
não sabe o que é um Gerador de Van der Graaf, na capa desse álbum aparece
um...
Yes - Time and A
Word Álbum bem melhor que o anterior, embora
ainda sem a qualidade que iria caracterizar a fase áurea do grupo. Muitas
músicas com acompanhamento orquestral completo. Eu não consigo ouvir "No
Opportunity Necessary, No Experience Needed" sem achar graça. A música é uma
"versão progressiva de tema de filme de cowboy" (por incrível que pareça). Eu
adoro a orquestração utilizada nela. Daria para ser tema de um filme de cowboys
espaciais ou algo no gênero. (Essa música pode ser ouvida inteira nesse
video:http://br.youtube.com/watch?v=SV4nG3lv-28onde dá pra ver como eles eram novinhos) Mas tem coisa muito boa
nesse álbum. Destaques para "Then", "Sweet Dreams" e "The Profet" (essa BEM
progressiva mesmo e uma das minhas favoritas nesse álbum). Em "Everydays" temos
uma rápida citação de "Jesus, alegria dos Homens" de Handel.
Bem, agora ouçam a Playlist e tente
começar a ver as diferenças entre as bandas totalmente progressivas e as outras.
Semana que vem teremos uma pausa na cronologia: só veremos videos de rock
progressivo. Espero que estejam gostando (apesar dos pouquíssimos
comentários...).