Ontem assisti às audições de San Diego da
7º Edição do American Idol. O que me impressiona quando vejo essa fase tanto do
concurso americano quanto do brasileiro é constatar como existem pessoas "sem
ouvido" no mundo. Aquilo que os americanos chamam de "tone deaf". A pessoa
canta. Canta horrivelmente. Mas quando perguntada como se saiu, acha que
arrasou.
Como exemplo típico disso tivemos nessa
audição a dupla Monica Gibson e Christopher Baker, que são amigos e chegaram
falando como se fossem ótimos. O rapaz teve até o desplante de falar que achava
que ambos poderiam ter sucesso no concurso pois cantavam bem e tinham um bom
visual. Veja os videos e me diga se ali tem algum visual que justifique tanta
confiança. Aí vai a Monica cantar o que? Whitney. E achando que poderia fazer
isso bem. Depois vai o carinha e consegue ser tão ruim quanto ela, não cantando
nada no mesmo tom. Teve que ser retirado pelos seguranças. O pior foi ver as
reações deles quando foram eliminados, furiosos e falando mil palavrões,
provando que realmente se achavam maravilhosos.
Blake Boshnack é um rapaz com um queixo
imenso e que se vangloria de já ter ido a 10 audições do AI tendo sido rejeitado
em todas. O que se passa na cabeça de uma pessoa para não ver que, se depois da
3ª, no máximo 4ª tentativa, não existe mais o que esperar de melhora. Mas a
resposta está na entrevista com a mãe dele, uma mulher obcecada pelo American
Idol desde a primeira temporada e que, obviamente, tornou sua vida vazia
totalmente dedicada a forçar o filho queixudo a fazer papel ridículo em rede
nacional e internacional...
Alberto Hurtado conseguiu roubar a cena
como a coisa mais exótica e patética que apareceu nesta audição. Com um corpo de
lutador de sumô e gestos de uma menina-moça, a criatura se mostra muito sensível
e tímido, ao mesmo tempo que aparece com um cabelão de Maria Bethania e um leque
maior que o do Dannilu, fazendo caras e bocas. Também acompanhado por uma mãe
superprotetora (Ah, Freud, se vivo, iria querer comentar sobre o AI) que o acha
o melhor artista do mundo.
Apoio por parte da família é muito bom,
mas tudo tem limite. Os pais que não enxergam as limitações dos filhos correm o
risco de fazerem com que estes se achem injustiçados pelo mundo, vítimas de
inveja e complôs, com grande risco inclusive de se formar um
maníaco.
Tivemos algumas coisas muito estranhas
como a Sarah Long que canta de forma completamente estranha e ininteligível, a
ponto de ser comparada a William Hong, o que a deixou muito ofendida. Quando a
ouvi pensei: "coitada, deixaram uma moça deficiente mental cantar", mas ao
ouvi-la depois, pode-se ver que ela não tem nenhuma deficiência além da vocal e
de senso de ridículo mesmo.
Como bons candidatos posso citar David
Archuleta (que sobrenome é esse??), de apenas 16 anos, que foi vítima de
paralisia de uma das cordas vocais o que ameaçou seriamente seu futuro como
cantor. O menino tem uma voz impressionantemente madura pra sua idade e com uma
interpretação muito boa.
Samantha Musa já ganhou minha simpatia por
ser fã do Simon como eu. Ela e a irmã fizeram um pampeiro, a ponto de Simon
convidar a irmã para ser co-jurada sentada no seu colo (!!!). Pensei que a
Samantha não cantaria nada e seria mais um episódio cômico do dia, mas não!. Ela
canta bem sim.
Interessante também a história de Carly
Smithson (que tem um visual de roqueira) que havia passado na 5ª edição, mas não
pôde prosseguir porque seu visto de estrangeira (ela é irlandesa) não ficou
pronto a tempo. Voltou justificadamente nervosa e não foi tão bem, justamente
por esse motivo. Mas passou...
Para terminar, que tal as 5 piores
audições dessa etapa? Detalhe para a de número 3, que chegou a dizer que cantava
parecido com Mariah Carey e, após cantar, fez uma expressão de "yes!!", como se
tivesse arrasado. Esse povo é surdo ou o que??
Silvio Santos viaja aos EUA para tentar recuperar o Ídolos
Silvio Santos está de férias, mas faz uma pausa no seu descanso para ir à Feira de TV em Las Vegas. Segundo a coluna Canal 1, uns de seus assessores mais próximos dizem que ele saiu do Brasil com uma mala de dinheiro, decidido a reverter a situação do Ídolos, hoje prometido e apalavrado, mas não assinado, com a Record. Vai colocar o pessoal da Fremantle contra a parede.
Na verdade, Silvio Santos sabe que é sua última tentativa. Fato é que a Record também foi com uma tropa de choque a Las Vegas disposta a enfrentar qualquer tipo de situação, embora os seus diretores não acreditem, em nenhuma hipótese, que o atual quadro seja revertido.
MINHA OPINIÃO: Para vocês verem como tem gente que fala coisas sem saber. Logo que surgiu a informação de que o Ídolos iria para a Record, algumas colunas disseram que era o SBT que não tinha tido interesse mais no programa "devido à baixa audiência" (coisa que contesto, acho que a segunda temporada teve ainda mais público que a primeira). Agora fica claro que não foi uma decisão do SBT e muito menos que a audiência estivesse baixa, pois Silvio Santos não brigaria pra ter um fracasso na sua grade.
Minha aposta é que teremos DOIS programas no mesmo estilo. Até porque Silvio estará na feira com uma mala de dinheiro. Se perder Ídolos, pode comprar outro formato de reality show de calouros, pois isso é o que não falta...
Minhas postagens indicando filmes têm obtido um sonoro desprezo por parte dos leitores desse blog. Mas eu não desisto fácil. Hoje falarei de um filme que deve agitar um pouco mais que os outros.
Trata-se de "Dreamgirls", filme de 2006, baseado no musical homônimo, que estreou na Broadway em 1981. O enredo, importado da peça, adapta em um trio fictício a história de Diana Ross e as Supremes, assim como de Florence Ballard, a integrante que foi substituída. Aliás, quem viveu aquela época, como eu, vai ficar impressionado com as inúmeras referências, tanto nas roupas das cantoras, no visual dos cabelos ao longo dos anos, nos cantores que aparecem de relance, até um grupo que em tudo parece com os Jackson 5 tem lá...
Aliás, tudo está lá. A fictícia gravadora Rainbow é exatamente o que a Motown foi para a música negra das décadas de 60 a 80. O filme tem uma fotografia belíssima, além de uma reconstrução de figurino da época muito rigorosa. Com um elenco estelar, essa versão cinematográfica do musical só tinha dois caminhos: ou um enorme fracasso ou um enorme sucesso.
Felizmente, foi a segunda opção. Recebeu o maior número de indicações ao Oscar de 2007 (8 ao todo), embora só tenha ganhado dois. Mas faturou 3 Globos de Ouro (Eddie Murphy, que perdeu o Oscar, ganhou o Globo).
Ao mesmo tempo temos 3 grandes cantoras formando o trio original: Anika Noni Rose, a jovem ingênua e romântica; nada menos que Beyoncé Knowles como a cantora bonitona que se torna lider do grupo pela sua aparência e Jennifer Hudson como a gordinha que canta muito e que é preterida em favor da bonitona.
Calma, não estou contando todo o enredo do filme. Afinal, isso é histórico. Aconteceu de verdade, quando Diana Ross se tornou a lider das Supremes somente por ser mais bonita que Florence Ballard, que cantava muito mais.
A história de Jennifer Hudson merece ser citada. Ela foi participante do American Idol (na temporada onde Fantasia Barrino ganhou) e ficou em 7º lugar. Isso mesmo!! Quando ela saiu, mereceu até um protesto de Elton John que acusou o público de racista.
Mas as audições para a escolha do cobiçado papel de Effie começaram e, curiosamente, Jennifer Hudson conquistou o papel, superando inclusive Fantasia. Para compor o papel, precisou engordar 10 quilos. Mas valeu a pena, pois ela rouba a cena, eclipsando inclusive a surpreendentemente apagada Beyoncé, que se mostra belíssima, sem dúvida, mas uma atriz dramática pouco convincente. E vocalmente ainda perde de Hudson.
Eddie Murphy conseguiu talvez o melhor papel dramático de toda sua carreira. Se não ganhou o Oscar por esse papel, não ganha mais. Compôs um cantor decadente, que mistura James Brown com Marvin Gaye. E ele canta bem ainda por cima!!! Essas coisas que me revoltam...kkkk
O DVD está primoroso, com uma imagem em Widescreen maravilhosa e muitos extras. Vou postar aqui 3 músicas, talvez as mais famosas. Beyoncé cantando um clipe com a canção "Listen", Jennifer Hudson cantando "And I Am Telling You I'm Not Going" (um tour de force, que poucas cantoras têm condição de cantar) e uma suave "One Night Only". Espero que isso dê, em vocês, vontade de assistir a essa pérola negra da música.
Será que 13 é número de sorte ou de azar?
Vamos ver...
Essa semana teremos um video de Carla
Priscilla, cantando "Greatest Love of All". Teremos também uma dupla muito boa e
que era super elogiada no começo de 2004, pra depois ser dispensada sem
maiores atenções: Marcelo & Cristiano.
Muitos calouros gostam de cantar
"Sangrando". Infelizmente, a maioria só consegue impressionar alguns
hematologistas. Não é o caso de Rogério Madeo, que tem nessa música uma de suas
especialidades.
Por fim, uma inédita: Nieli Keiti cantando
"I Always Love You". Quem? Eu sei, eu sei. Ela ficou pouquíssimo tempo e pouca
gente se lembra dela. É para isso que o Ecos serve. Pra
lembrar...
Os preparativos da versão brasileira do filme norte-americano "High School Musical" vão virar reality show. Como no "Big Brother", os participantes estarão confinados em uma casa e serão eliminados com o passar das semanas.
A nova atração tem entrada marcada na grade de programação do canal a cabo Disney Channel para o dia 10 de março. No SBT, deverá ser exibida a partir do dia 16 do mesmo mês, todo os domingos, às 13h30.
Intitulado "High School Musical A Seleção", o programa mostrará as etapas de escolha do elenco da versão nacional do longa-metragem que deve ser lançado entre janeiro e março de 2009.
O show foi dividido em duas partes: a primeira corresponde às eliminatórias com os candidatos a um papel no HSM (sigla do filme). Parte do material dessa fase exibirá teste ocorrido no Sambódromo de São Paulo em 17 de novembro do ano passado. Na ocasião, mais de quatro mil candidatos inscritos foram analisados.
A segunda etapa transmitirá uma espécie de "academia de artes", em que 18 jovens selecionados (na faixa etária entre 16 e 24 anos) estarão confinados em uma casa e vão receber aulas de canto, dança e atuação.
O formato do programa se assemelha aos outros realities shows exibidos pelo SBT, como "Popstars" (2002 e 2003) e "Ídolos (2006 e 2007). Porém, não haverá votação popular para eliminar os candidatos, pois os critérios de eliminação dos concorrentes serão estritamente técnicos.
Jurados do Ídolos são chamados para gravar chamada no SBT
Os quatro jurados do Ídolos - Arnaldo Saccomani, Miranda, Cyz e Thomas Roth - foram chamadas pelo diretor Ricardo Mantonelli para a gravação de uma chamada, que estava prevista para acontecer ontem, no SBT.
Tudo no mais absoluto segredo. Ninguém tem maiores informações a respeito. Informou a coluna Canal 1.
Completamos uma dúzia de Ecos do Passado.
Pra vocês verem como 2004 foi um ano prolífico. Eu nem gravei todos os calouros,
só alguns. Esta semana vamos ter só cantores já conhecidos desta seção, mas em
apresentações inéditas.
Bruna Braga, uma das cantoras que mais
tempo ficou em 2004, cantou "O Bêbado e o Equilibrista" no dia em que Jair
Rodrigues estava no Juri. Ele aproveitou e cantou com ela "O Morro não tem vez"
(que poderia ter sido usado como trilha sonora do filme "Tropa de Elite").
Confiram o resultado.
Rafael Siano ficou 18 semanas no programa
(um pouco menos que Bruna) e, nessa semana, cantou "Luna", música que ficou mais
conhecida por fazer parte da trilha de uma novela global.
Shirley Carvalho (Sim! Ela também estava
em 2004, lembram-se?) cantou "Endless Love". Um bom momento para se comparar
suas apresentações de 2004 com as de 2007 no Ídolos.
Levi Arruda tinha um gosto especial por um
certo estilo de canções, do qual "Coleção" é um expoente. Nessa praia ele até
que se saia bem.
E, por fim, a inesquecível Tiane Tambara
cantando "You're the One that I want", do filme "Grease". Já sei que esse video
vai ser o mais visualizado de todos...
Numa postagem recente eu expliquei o que era Auto-tune, pra que servia e como detectar o uso em algumas gravações. Também comentei que já existiam aparelhagens que corrigiam a afinação em "tempo real", ou seja, enquanto o cantor se apresentava, permitindo correções mesmo em apresentações ao vivo.
Como eu havia prometido, agora concluirei o texto, explicando o que tem Auto-tune a ver com esse blog. Em 2004 fiz meu cadastro no Fórum que existe no site do Programa Raul Gil. Passei a participar, inicialmente de forma tímida, depois com mais freqüência. Quando comecei a assistir às gravações do programa, resolvi criar um tópico semanal onde contava tudo que havia ocorrido nas gravações, e que nem sempre vai ao ar. Como parte desse tópico, eu contava o que cada calouro havia cantado e fazia meu comentário sobre a apresentação. Essa "bricandeira de jurado" continuou mesmo depois que parei de ir às gravações e fundei esse blog. Aliás, mais que isso, passou a ser o assunto principal do Blog. Com o tempo passei a comentar outros programas de calouros: Melhor do Brasil, American Idol, Ídolos, Rockstar Supernova, Countrystar e até me aventurei como jurado real num concurso de internet, o Voxx.
Nesse período quase todo, continuei a comentar sobre os calouros do PRG. Inicialmente só comentando sobre os calouros adultos e, depois da explosão adolescente de 2005, os jovens também.
Em 2006, Raul anunciou um concurso, Super Talentos, para escolher um cantor ou cantora que ganharia R$500 mil reais não em dinheiro, mas em verba de divulgação. Um valor invejável, que permitiria a um cantor iniciante ser bem divulgado, embora o valor não chegasse aos pés do que se gasta com mega-lançamentos que temos no Brasil.
De uma hora para outra, o concurso foi extinto sem que Raul sequer explicasse o motivo para o seu público. A versão extra-oficial foi de que o patrocinador responsável pelos R$500 mil, as Casas Bahia, havia recuado e deixado o projeto. Sempre achei essa versão muito estranha, pois acho que um projeto que envolva essa verba, não é uma coisa que se combine numa mesa de bar. Deve haver algum contrato a ser cumprido. Como um patrocinador desiste no meio de um concurso?
Coincidência ou não, após o fim forçado do Super Talentos, Raul enxertou um antigo calouro de 2004 no quadro Homenagem ao Compositor, que era originalmente criado para ser feito somente com os Jovens Talentos. Após apresentações semanais que duraram cerca de um ano, Raul lançou um CD do ex-calouro e continua a divulgá-lo em todas as semanas, fato inédito até então.
Nunca soube se o fim do Super Talentos e a volta de Ricky Vallen tinham alguma conexão e acho que nunca saberei.
Sem os calouros adultos, Raul se concentrou nos adolescentes e passou o ano de 2006 tentando recriar o grupo, excepcionalmente talentoso, de 2005. O que faltou a Raul e Raulzinho entender é que o grupo de 2005 era uma exceção, formado por jovens de diferentes estilos e com um talento fora do normal. Tentar achar, em um ano, outro grupo de igual valor, era mais que um desafio. Era uma fantasia.
Foi quando se começou a forçar a barra em cima de alguns jovens. Surge um Rodrigo Rios e o sucesso dele com o público feminino faz com que eventuais falhas vocais fossem esquecidas, embora o rigor permanecesse com candidatos menos privilegiados esteticamente...
Surge uma cantora que atrai um público específico, num estilo "lesbian chic". Mesmo que afinação não fosse o forte dela, isso foi deixado de lado, em favor do interesse no mercado para esse tipo de cantora. Até o fato dela ser maior de idade (portanto não poderia participar do concurso de jovens até 18 anos) foi escondido do público. De repente, os jovens que participavam da Homenagem ao Compositor (depois transformada em Homenagem ao Artista) passaram a cantar de forma bem mais afinada. Era estranho ver o mesmo jovem cantar desafinado no concurso e afinado na homenagem gravada no mesmo dia...
Ficou claro que estavam acertando as vozes eletronicamente. Em alguns casos dava até para perceber o acerto, como foi explicado na postagem anterior. Na época, achei isso aceitável, uma vez que não é muito bonito você fazer uma homenagem a um compositor colocando cantores arruinando suas composições. A coisa ficou mais séria quando comecei a detectar alterações em apresentações no concurso também.
Auto-tune é como comer batatas Pringle. A gente pode achar que vai comer só uma, mas quando vê, comeu o tubo inteiro. Quem começa a usar Auto-tune para consertar a voz de um cantor ruim, fica tentado a fazer isso sempre e com todo mundo. É diferente de um engenheiro de som que acerta uma única nota na apresentação de um grande cantor.
Foi assim que, de uma hora para a outra, até Maisa passou a cantar pois, como ela mesmo dizia, "Raulzinho descobriu que eu sei cantar". Até um CD da minúscula foi anunciado!! Fortunadamente, os pais dessa menina viram que ser lançada como cantora, sem ser capaz de cantar uma nota, era o caminho para o fracasso e aceitaram a proposta do SBT para que ela se tornasse apresentadora de programa infantil.
Mesmo com o retorno do quadro de calouros adultos, acho muito pouco provável que a tentação de se acertar as vozes dos calouros preferidos não venha a ser mais forte. Como eu disse: Auto-tune vicia. Além do mais, o pouco que vi dessa nova fase do PRG não me agradou. O programa mais parece um "Frankenstein" com pedaço de Faustão, pedaço de Ídolos, pedaço de Clube das Mulheres, sei lá. Uma confusão...
Foi assim que eu vi que não havia mais sentido em comentar as apresentações de calouros que estavam tendo suas vozes acertadas eletronicamente. Agora isso já era tarefa para um engenheiro de som que deveria comentar se fizeram a correção direitinho ou não...
Espero que esse texto satisfaça aos leitores que insistem para que eu volte a comentar sobre o PRG. Não pretendo e nem tenho vontade de fazê-lo e ainda, esse ano, devo ficar bastante ocupado, pois tudo indica que terei dois programas Ídolos para comentar: um no SBT e outro na Record.
Algumas novidades na programação dedicada aos telespectadores que apreciam o mundo Country, ambas na Band: A primeira é que o programa Terra Nativa agora reapresenta aos domingos as 16:00hs. Bem melhor que aquele horário ingrato das sextas às 22:30hs.
Outra novidade é que já começaram as inscrições para o Countrystar II. Este ano o objetivo é escolher um cantor. Vamos acompanhar esse processo. Espero que o objetivo seja escolher um cantor country mesmo e não mais um sertanejo. Maiores informações e ficha de inscrição nesse link abaixo:
Há quase um ano eu escrevi, nesse blog, isso: "Agora resta uma pergunta: haverá um Countrystar 2? Seria uma versão masculina? Eu acharia ótimo que lançassem um cantor country solista, que quebre essa tradição de duplas."
Aliás, a ganhadora do Countrystar I, Natália Siqueira, fará uma participação nao novela "Dance, Dance, Dance". Mais detalhes nesse link:
Outra novidade é um programa chamado "Astros do Rodeio", que passava nos sábados, às 22:00hs, agora passa aos domingos, às 11:00hs.
O programa tem uma coisa interessante para quem acompanha esse blog: é apresentado por uma ex-candidata do Countrystar, Janaina Barros, uma menina linda e simpática, mas que não cantava o suficiente para competir. Viram que ela tinha carisma e a colocaram nesse programa, juntamente com a Miss Rodeio Brasil 2006 Michelle Soares.
Com linguagem e visual moderno e ressaltando os valores de toda cultura e tradição envolvidas no rodeio, "Astros do Rodeio" também trará reportagens com artistas.
Hoje falarei de um cantor que tem uma
legião de fãs no mundo, inclusive Brasil. Pode ser que algo que eu diga não
agrade aos fãs mais entusiasmados, mas vou falar assim
mesmo.
Josh Groban era um completo desconhecido
para mim até a noite em que, assistindo a um episódio de "Ally McBeal" (ainda
preciso fazer um post dedicado a essa série), o vi no papel de Malcolm Wyatt, um
jovem tímido cuja companhia para o baile de formatura o deixou na mão e seu
professor de canto queria ir à Justiça para obrigar a moça a cumprir sua
palavra. Todo o episódio foi criado para preparar o público para o momento em
que, no baile, ele canta "You're Still You" para surpresa dos colegas, que ficam
impressionados com sua voz. Eu não estava me formando naquele baile, mas também
fiquei impressionado e fui procurar saber quem era aquele cara. Descobri que ele
era a sensação do momento nos EUA, no gênero "Popera" que mistura canções pop
com empostação lírica. Descoberto pelo mesmo produtor de Celine Dion, ele foi
lançado com uma estrutura de marketing impressionante, que incluia sua
participação na referida série de TV.
Na época não havia CD dele no Brasil e comprei tanto
o CD quanto o DVD pela Amazon. Enquanto esperava, outro episódio de "Ally"
mostrou sua capacidade de interpretação. Não era um episódio cômico como o
anterior, mas uma homenagem às vítimas do 11 de Setembro. Como "Ally" se passava
em Boston e não em NY, os autores inventaram um incêndio onde muitos bombeiros
haviam morrido. A prefeitura local decidiu, em respeito às mortes, cancelar o
tradicional desfile de Natal. Um dos moradores vai a Justiça contra essa
decisão. Paralelamente, o personagem tímido de Josh volta como o filho de um
pastor que declara em seu sermão que não acredita mais em Deus após sua esposa
ter sido assassinada num assalto. O filho do casal decide não cantar mais depois
da morte da mãe. Cabe a Ally tentar resolver a situação. Destaque para o diálogo
entre Ally e Josh, onde ele descreve a mãe como uma pessoa que acreditava tanto
na bondade humana que havia pedido ao seu próprio assassino que ligasse para uma
ambulância. No final do episódio, ele canta "To where You Are", que é uma
mensagem para alguém querido que morreu, devolvendo ao pai a crença em Deus
enquanto vemos cenas do desfile de Natal que, ao mesmo tempo, homenageia os
mortos no incêndio (sendo a homenagem da série às vítimas do 11 de Setembro).
Era possível sentir a emoção de todo o elenco, recém saído do maior atentado da
História. Essa música teve uma influência muito grande na vida de diversas
pessoas nos EUA que haviam perdido entes queridos.
Nisso,
chega meu CD e meu DVD. O DVD é maravilhoso. Um dos melhores CDs de show que
tenho. Onde ele mostra que é possível interessar o público sem excessos, sem
dançarinos, sem explosões no palco, etc. Excepcionalmente bem dirigido, esse DVD
virou uma espécie de coringa para mim. Sempre que não sabia o que assistir, ele
era uma boa opção.
Fiquei tão fã dele que até me inscrevi
como membro do seu time de fãs que, em caso do artista vir ao país, podem ser
contatados para ajudar na divulgação, ligar para radios,
etc.
O segundo CD, entitulado "Closer"
acrescentou mais belas canções em seu repertório. O DVD que vinha com ele só
mostrava um clipe e entrevistas. Um segundo DVD de show era esperado por
todos.
Foi quando saiu o DVD "Live at the Greek"
(que não é feito na Grécia como muitos acreditam). Comprei numa
expectativa enorme. Foi uma das maiores decepções musicais da minha vida. Sua
voz havia se tornado extremamente anasalada, a ponto de, em alguns trechos do
DVD, eu ter a nítida impressão de que havia algo errado com o sistema de som.
Para se ter uma idéia, assisti a esse DVD uma vez só e nunca mais tive
coragem de colocá-lo de novo no aparelho...
Quando Josh lançou seu 3º CD, "Awake". Confesso que
até demorei para me animar a ouvir esse CD. Assistir a um ídolo se desfazer na
sua frente é muito triste. Mas ouvi o CD e posso dizer que, se não temos as
obras-primas dos dois primeiros, pelo menos não temos o fiasco do segundo
DVD.
O que me incomoda nesse CD é ver que seus
produtores estão se rendendo facilmente a uma fórmula batida. Quase toda música
pertence a uma "família" criada por algum sucesso anterior dele. Tudo bem que
isso é muito comum em música. Você lança algo que estoura nas paradas, tem que
lançar algo no mesmo estilo no CD seguinte. Mas nesse caso tudo me pareceu muito
óbvio. Não que o CD seja uma porcaria, longe disso. É agradável. O anasalado da
voz reduziu bastante, ainda aparecendo nas músicas em italiano, como em
"Veritá".
Nesse CD, uma das mais belas composições é
"You are loved (Don't Give Up)" que segue aquela linha meio "auto-ajuda" de
outras composições dos CDs anteriores. E nela Josh mostra algo que nunca havia
mostrado: seu falsete. Nas italianas, "L'ultima Notte", embora bastante
previsível, encanta pela estrutura ascendente, que nos leva a um estado de forte
emoção. "Solo por ti" também é muito bonita.
Uma coisa que me irritou foi a presença de
"Un Giorno per noi" (versão de "A Time for Us", tema do filme "Romeo e
Julieta"). Agora todo CD dele tem que ter uma música em italiano que foi tema de
filme? No primeiro tivemos o tema de "Cinema Paradiso", que foi uma das coisas
mais belas de toda sua carreira. No segundo, o tema de "La vita é bella". Mas
pra quê colocar uma canção em italiano que originalmente é em inglês? Por que a
história se passa na Italia? É muita "fórmula pronta" pro meu gosto. A única
coisa que gostei dessa música é o belíssimo solo de violoncelo (meu instrumento
favorito) que tem no meio dela...
Novidade é o "Lulaby" (canção de ninar)
que ele canta, sendo acompanhado pelos Ladysmith Black Mambazo (grupo
sulafricano). É exatamente esse tipo de inovação que espero na carreira dele.
Assim como a música seguinte, uma espécie de reggae, também acompanhado pelos
Ladysmith Black Mambazo e ainda por Vusi Mahlasela. Com uma mistura de ritmos,
essa música certamente não será um hit, mas será lembrada no futuro. Em
"Machine" ele volta a mostrar seu falsete, além de ser acompanhado por Herbie
Hancock. Em resumo: Josh Groban é um cantor que teve um sucesso enorme e
quase imediato. Vocalmente decaiu rapidamente e agora, parece, está se
reerguendo. torço para ele por vários motivos, mas principalmente porque temos
tanta porcaria cantando por aí por décadas, que precisamos de algo de melhor
qualidade que dure o suficiente para criar uma geração de ouvintes com melhor
gosto musical.
Às vezes tenho medo que ele siga o caminho
de alguns artistas que também surgiram como algo mais diferenciado e, depois de
um repertório repetitivo, viraram sinônimos de mau gosto. Que seus produtores (e
ele mesmo) não permitam que isso ocorra.
Aqui vão as duas cenas da série Ally McBeal onde ele
canta.
Acrescentei um recurso ao Blog. Aqui em cima, logo abaixo do título, teremos as últimas notícias sendo mostradas. Quem clicar sobre a notícia será redirecionado para a página da Folha Online com a notícia por inteiro.
Também gostaria de lembrar que postei um texto novo no meu outro Blog (http://operalover3.blog.uol.com.br/) que era sobre comerciais e agora é mais amplo, falando sobre TV em geral.