Calma, não é o "aportuguesamento" do nome do ator de "Desejo de Matar". Trata-se do nome de uma banda. Tudo começou quando eu estava andando de carro e ouvindo rádio, quando tocou uma música que eu não conhecia e não reconheci quem era o cantor. Anotei um trecho da letra e fiz meu dever de casa, procurando no Google e achei o clipe da música "Invasão das Águas". Acho que já estou ficando meio caiçara, porque reconheci na paisagem que o clipe era filmado aqui na Baixada Santista, gravado numa catraia, um barco que transporta pessoas aqui. Gostei muito da música e da voz do vocalista e fui procurar mais informações.
A banda "Carlos Bronson" surgiu em meados de 2002, com a intenção de exaltar a música brasileira, aproveitando as inúmeras vertentes que ela oferece. Sofrendo várias influências, particularmente da MPB tradicional e da Nova MPB, a banda vem conquistando seu espaço, se apresentando em diversas casas da Baixada Santista e mesmo em outras partes do estado de São Paulo, trazendo muito groove, samba-rock, com músicas próprias e diversos covers da MPB..
Já abriu shows de artistas como: Seu Jorge, Paulinho Moska, Paula Lima, Farofa Carioca, Zeca Baleiro e Max Viana, entre outros. O grupo já participou de inúmeros eventos beneficentes na cidade de Santos, e lançou seu primeiro CD com músicas próprias, em 2009, produzido e arranjado pelo grupo, atingindo recorde de público na casa noturna Capital Disco. Uma das faixas do disco ainda conta com a voz e swing do cantor Cláudio Zoli.
Vejam esse clipe e comentem se gostaram tanto quanto eu.
BANDA CARLOS BRONSON
Formação: André Assunção - Bateria Daniel Cancello - Flauta e Sax Daniel Rodrigues - Guitarra Felipe Paradella - Percussão Ricardo Negreiros - Baixo Roger Guerra - Vocal Theo Cancello - Teclado
Dando continuidade à série, mais algumas músicas que formaram meu gosto musical na infância.
Começamos com "Reach Out I'll Be There" do Four Tops, que é de 1966. Eu realmente fico impressionado que uma música que fez sucesso quando eu tinha 5 anos pudesse ficar gravada na minha memória desse jeito. A menos que as músicas ficassem tocando por um período maior do que se faz hoje e eu a tenha conhecido mais velho. Essa música já foi regravada por tanta gente que eu seria injusto de citar um cantor e omitir outros.
Uma música que marcou muito, pois foi tema da novela Selva de Pedra (a primeira versão, de 70, com Francisco Cuoco, Regina Duarte e Dina Sfat) e todo mundo achava que era uma música de amor carnal (porque ninguém entendia inglês nessa época). A mulherada, quando descobriu que o cantor era bonito, alucinou ainda mais com a música. Lembro até hoje do B.J.Tomas (nunca entendi como alguém pode ter esse apelido de BJ nos EUA) foi na Hebe e ela ficou falando o quanto ele era bonito. Não lembro se já o chamou de "gracinha" também...
Uma música que se tornou maior do que a fonte de onde saiu: "Good Morning Starshine" que eu só descobri mais tarde que fazia parte do musical Hair. Ela fez um sucesso independente em 1969 e acabou sendo regravada por muita gente, Andy Williams e, eu acho, Karen Carpenter gravaram suas versões. Confesso que não posso mais ouvir essa música sem lembrar o final do episódio de Os Simpsons, chamado "E.T. phone Hommer" onde todo mundo canta essa música, incluindo Leonard Nimoy (Dr. Spock), Mulder e Scully (da série Arquivos X).
Uma música que tinha um letra muito pobre, mas a gente nem sabia disso, e que fez um imenso sucesso em 1969 foi "I've Been Hurt" do grupo Bill Deal and the Rhondels. Hoje a gente vê que a música só emplacou pela melodia e ritmo, mas agora a gente prefere criticar Michel Teló...
Se vocês realmente estiverem gostando dessa série, peço que divulguem o Blog para termos mais comentários aqui.
Como todos vocês já devem saber, já que praticamente todo meio de comunicação deu a notícia, o cantor e compositor Diney Alves agora terá a proteção do jogador de futebol Adriano.
Esse apoio já mostrou sua força, ao colocar Diney nas notícias mais divulgadas em pleno Carnaval. A nova música de trabalho, "Gandaia", já foi tocada até em trio elétrico do Carnaval da Bahia.
Não tenho dúvidas do que o poder do dinheiro e da influência de um Adriano pode fazer de bem para a carreira de Diney, mas direi aqui o que eu disse ao Diney pessoalmente: me preocupa MUITO a associação dele a um jogador que já teve foto ao lado de traficante, fazendo com os dedos o símbolo de uma organização criminosa. Sei que muitos cantores de sucesso (Sinatra que o diga) tiveram apoio de pessoas, digamos, pouco recomendáveis. Mas o problema de associar sua imagem a imagem de uma outra pessoa é que, se ela cai, você cai junto.
Desejo toda a sorte do mundo ao Diney e espero, sinceramente, que eu esteja redondamente enganado e que esse patrocínio só venha a ajudá-lo a alcançar o sucesso.
ATUALIZAÇÃO
Não que eu queira dizer que "viu, como estava certo?", mas andei lendo alguns dos sites que deram a notícia e os comentários dos leitores vieram me confirmar o risco de um cantor associar sua imagem a alguém que é tão polêmico. Os sites estão cheios de críticas, algumas bem ácidas, ao Diney e seu trabalho. Dá para ver que muitos ali criticaram por não gostar de Adriano e, ao atacar o cantor que ele lança, querem atacá-lo indiretamente ou são fãs de esporte, mas não de música sertaneja e aproveitam para destilar todo o seu veneno contra o gênero musical. Não faltaram piadas com o nome da música de trabalho de Diney "Gandaia" com as preferências de Adriano...
O cantor e compositor Wander Peixoto participou do programa "Todo Seu" de Ronnie Von, nessa sexta-feira, dia 10/02/2012. Cantou duas músicas do seu novo CD, "Simples" e foi muito elogiado. Ele foi acompanhado por Walter Bini e Marcelo Farias.
Wander me pediu para que gravasse sua participação, para colocar no Youtube e esse foi o resultado:
Dando continuidade a essa série, optei por alguns clássicos realmente clássicos.
"Venus" foi uma daquelas músicas que entraram na história da música mundial. É de 1969 e, embora tenha ficado em primeiro lugar nas paradas dos EUA (além de diveross outros países), era de uma banda holandesa chamada Shocking Blue. Em 1989 ela foi relançada pelo grupo Bananarama e voltou ao primeiro lugar nas paradas, fato raro. Acho que ninguém da minha geração poderá dizer que nunca ouviu essa música.
Outra música de 1969, muito popular em sua época, foi "He ain't Heavy, He's my brother" da banda The Hollies. Eu tinha 8 anos quando conheci essa música e não sabia quase nada de inglês, mas sentia uma tristeza enorme ao ouví-la, creio pelo uso de um tom menor. Mas quando cresci e conheci o significado da letra, confesso que cheguei às lagrimas. Essa música não ficou eterna como "Venus", mas deveria...
A canção aparentemente é uma citação de um texto que descrevia um desenho publicado numa edição de Natal de uma revista onde um menino carregava seu irmão e respondia a um homem "Ele não é pesado, senhor, ele é meu irmão".
Agora, deixando um pouco a tristeza de lado, uma música que alegrou minha infância. "Last Train to Clarksville" do grupo The Monkees. Não sabe que grupo é esse? Shame on You!!
The Monkees foi uma banda americada, criada em 1965 pela rede americana NBC para rivalizar com o grupo inglês The Beatles. Deu pra perceber que rivalizar não foi possível, né? O grupo teve uma série de TV entre 1966 e 1968, que eu não perdia, e um longa-metragem para cinema chamado Head (Os Monkees estão soltos). Seus discos venderam cerca de 65 milhões de cópias ao redor do mundo e hoje pouca gente os conhece. Há alguns anos correu um boato de que eles não cantavam (ou não tocava, não me lembro) só dublavam, mas parece que é mentira, pois não achei nada sobre isso hoje. Esse video foi submetido a um tratamento e está com uma imagem impressionante de tão boa.
Sei que já falei sobre isso antes, mas hoje vi um video que está bombando na internet. Trata-se de uma paródia de "Ai, se eu te pego" chamada "Só tem um verso". Não vou postar o link pelos motivos que se seguem.
Se, a principio, estava achando engraçado, de repente de toquei de uma coisa: fazer uma paródia de uma música, criticando sua má qualidade, mas usando a mesma melodia e sem acrescentar nenhuma qualidade a ela, no fundo, é se aproveitar dessa música.
Vejam bem, quando Marcelo Adnet - um humorista que não precisa agredir as pessoas ou grupos para fazer sucesso e ser engraçado e, quando cometeu um deslize, prontamente admitiu o erro - quis criticar o baixo nível cultural das letras do Funk Carioca, ele criou uma verdadeira obra-prima, que foi a "Gaiola das Cabeçudas", que já teve várias seqüências, mas a primeira é a origem de tudo. Vejam abaixo:
ISSO é uma crítica inteligente! Agora, reclamar da má qualidade da letra de "Ai, se eu te pego" e escrever uma ainda pior, usando palavras como "porra" e "bosta", chega a ser irônico...
Pior de tudo é o preconceito por parte daqueles que se autoelegeram a "elite" cultural brasileira. Quando os Tribalistas lançaram uma música que rimava "criançá" com "brincá", essas mesmas pessoas acharam lindo. A mesma música tinha essa pérola: "eu gosto,de você. E gosto de ficar com você". Sim, porque quando a gente gosta de alguém, quer ver pelas costas, né? Quando eles mesmos lançaram outra música que dizia "já sei namorar, já sei beijar de língua, agora só me resta sonhar", acharam poesia pura. E, quando Carlinhos Brown, lançou essa canção:
Bebeu água, não! Tá com sede, tô! Olha, olha, olha, olha a água mineral Água mineral Água mineral Água mineral Do Candeal Você vai ficar legal
Se essa música tivesse estourado no exterior, todas essas mesmas pessoas diriam que ele era um gênio que estava sendo reconhecido no mundo. Alguém tem alguma dúvida disso?
Quer criticar a música? Então posta uma letra bem feita, com uma música complexa e que, ao mesmo tempo, possa empolgar as pessoas. Ah, mas para fazer isso é necessário ter talento, o que falta a muitos dos que criticam essa música.
No dia 26/01, aniversário da cidade de Santos, fui ver meu amigo Gilvan, cantar no Projeto Tendas. Para quem não conhece, esse projeto já existe há muitos anos. Todo verão, eles montam cerca de 5 ou 6 tendas ao longo das praias de Santos e convidam artistas locais para se apresentar lá. Acho que dura todo o mês de Janeiro e Fevereiro.
Esse ano, Gilvan foi brindado com o dia do aniversário da Cidade. Estava chovendo torrencialmente há mais de 24 horas e esfriou, mesmo assim, teve um público muito bom.
O repertório de Gilvan mudou um pouco, focando no sertanejo universitário, com bem menos MPB e Pop-Rock que antes. Não sei se é tendência ou transitório.
Ele se apresentou com uma banda completíssima, com: Alexandre Prado: Teclados Artur Meireles: Baixo Fábio Schmidt: Bateria Maykon Lopes: Violão Alan Chiapetta: Guitarra Leonardo Vilar: Violão
Fiz, para variar, diversos vídeos. Como seria impraticável incluí-los todos aqui, fiz uma lista de músicas com links para os vídeos, que estão em HD e com qualidade de som razoável.
Quarto episódio da série. Vamos ver mais algumas pérolas do passado.
Começamos com "My Pledge of Love", com Joe Jeffrey que é de 1969. Essa música tocou MUITO. Quem viveu sabe...
Passamos para "If" de David Gates, com sua banda Bread. Essa música é de 1971, teve um monte de regravações e era a música com o menor título a chegar a número 1 nas paradas até Britney lançar 3, que eu não conheço e agradeço por isso. Observem esse tremolo na guitarra no começo da música. Isso era MUITO comum na época. Tinha música inteira até assim...
"Handy Man" foi um grande sucesso de 1978, talvez a música mais recente que já divulguei aqui nessa série. Como ela está praticamente esquecida, achei melhor incluir.
E para quem acha que era só música romântica que eu ouvia, aqui vai "48 Crash" de Suzi Quatro que é de 1973. Essa música tocava toda hora na TV numa propaganda de uma rádio (Sim! Antigamente as rádios faziam propaganda na TV). Para dizer a verdade, eu acho que foi o primeiro grupo de rock com vocalista feminina que eu conheci na minha vida. Ah, Quatro é o sobrenome mesmo dela...
A série está bombando e preciso manter o fluxo de informações. Então vamos a mais algumas músicas antigas, que fizeram bastante sucesso quando eu era criança ou adolescente.
Começamos com "Hotel California", de 1977, cuja letra deu origem a múltiplas interpretações. Eu sempre achei que era uma alegoria em relação às drogas e o seu vício, mas recentemente soube que a banda informou que era sobre a ganância e a vida luxuosa da indústria da música na época em Los Angeles, o que me decepcionou.
A música ainda é do tempo da influência do Rock Progressivo, com suas músicas que não tinham uma duração "certinha" de cerca de 3 minutos. Então, ela tem uma duração de mais de 6 minutos!!
Um cantor que, hoje em dia, pouca gente comenta e que tinha (e ainda tem) uma bela voz (e uma cara esquisita) é Barry Manilow. Em 1974 ele regravou uma música de 1971, originalmente chamada "Brandy" (deve ser um tributo de algum alcoólatra), mas com o nome "Mandy" e estourou nas paradas de sucesso.
E, para quem queria dançar, tínhamos "Do You Wanna Dance" de Johnny Rivers, que é de 1968. Reparem no chiadinho do disco de vinil!!
"Sultans of Swing" foi o primeiro grande sucesso da banda Dire Straist. Eu custei a crer quando constatei que ela é de 1978. Parece que foi lançada ontem!!
Eu já comentei aqui no Blog, se não me engano, na Era Paleozóica, sobre os Carpenters e sobre minha tristeza de constatar que, hoje em dia, o pessoal acha que só é boa cantora quem atinge um agudo e quebra um copo. Lembro que apresentei a Karen Carpenter para meus leitores e alguns jovens vieram comentar que "não tinham curtido" a voz dela. Esses vão pro Inferno Musical (onde só toca Funk Carioca) pelo pecado mortal cometido...
Para serem perdoados, devem assistir videos como esse abaixo todos os dias.
Como consequência da decisão judicial que tirou o QST do ar, o programa Astros voltou ontem à grade do SBT. Como já estamos acostumados no SBT, o horário inicial será as 22:30hs, totalmente inadequado para um programa desse tipo. Acho tão triste ver que quem cuida da programação de TV não nota que existe uma massa de telespectadores procurando algo diferente daquilo que as emissoras enfiam goela abaixo. Coloque esse programa as 20:00 ou mesmo as 21:00 e muita gente que está cansada de novela, de tramas absurdas e violentas, irá começar a migrar aos poucos para uma programação mais saudável.
Porém, nos dias de hoje, ainda mais no SBT, as coisas têm que ser imediatas. Se um programa não dá a audiência esperada na primeira semana, já fica com a sobrevivência arriscada. Daqui a pouco vamos ver o Astros mudando de dia de semana ou de horário para buscar uma melhor audiência.
Por uma questão ideológica de achar que, depois das 22 horas não é horário para se passar esse tipo de programa, optei por não assistir à estréia. Não sei como foi, mas sei que teve os mesmos jurados, apresentação de André Vasco o que considero uma piora em relação às temporadas anteriores. Não consigo simpatizar com ele e preferia a dupla Ligia e Beto, embora compreenda que cada um deles seguiu um caminho diferente dentro do SBT e que, talvez, fosse até um retrocesso trazê-los para apresentar o novo Astros.
Como já havia anunciado no final de 2010, não pretendo comentar mais programas de calouros e o Astros não será exceção. Mas hoje, vou comentar outras coisas sobre esse programa e os realities do SBT em geral.
Primeiro, confesso que fiquei pasmo com o desrespeito às leis por parte de Silvio Santos. Sabia que, assim que começou a bombar o video de Suzan Boyle, Silvio mandou registrar as marcas "Brasil tem Talento" e "Qual o seu talento". Ele estava viajando pelo exterior na época e eu pensei "ele deve ter comprado o formato do Got Talent e já registrou os nomes para reservar". Que nada!! Silvio somente registrou os nomes, mas ignorou solenemente o fato de que o formato ser criação e propriedade de uma empresa.
Essa empresa, obviamente, entrou na Justiça brasileira que levou todos esses anos para reconhecer o direito dela sobre o formato! Dá para acreditar numa Justiça assim?
Outro caso, bastante parecido, foi quando o SBT lançou o "Se ela dança eu danço" cujo formato é totalmente baseado no "So You Think You Can Dance", embora no site do SBT se diga que é um "formato original do SBT". Daqui a pouco vem novo processo. Mas antes disso teve outro processo. Quando é que eu iria imaginar que o SBT iria colocar o nome de um programa tirado de um trecho de uma música sem pagar direitos ao autor?? Pois foi o que aconteceu. MC Leozinho, que é a única coisa boa que conheço dentro do funk carioca, processou a emissora, que num ato de desrespeito simplesmente inverteu as letras do nome da atração e ainda conseguiu que um juiz acreditasse que essa frase é de domínio público e já existia antes. Detalhe: o juiz foi capaz de mostrar, em qualquer lugar, essa frase escrita ou dita ANTES do lançamento da música de Leozinho?? Duvido...
Esse desrespeito pelos direitos autorais dos outros é impressionante, visto que, perto dos custos da produção, um acordo de direitos nem deve pesar tanto assim no bolso. Mas torna-se ainda mais estranho quando a emissora engavetou por anos um formato próprio, de sucesso, elogiado por todos, que era o Astros, só tirando da gaveta quando a Justiça decidiu por proibir o QST.
Fui nosite do novo programa, hoje pela manhã. Só tem dois vídeos de teasing (propaganda antes do lançamento). Eu espero que, com um horário horrível desses, o SBT disponibilize o programa em video seja no Youtube ou no próprio site da atração.
Faço uma pequena pausa na série "O Barro do qual fui feito" para comentar três coisinhas. Notei que muitos leitores mais jovens (e não estou falando de adolescentes) nunca imaginaram que certas músicas, cantadas por seus ídolos, eram regravações. De repente, me perguntei se as pessoas sabiam que três músicas, bastantes divulgadas por duas cantoras de Axé Music e por uma banda de rock eram regravações de canções de outros artistas.
Então vamos ver as versões originais de três músicas:
Rever esse clipe me assusta ao ver como o estilo da TV brasileira mudou. Alguém pode imaginar o Fantástico hoje com esse tipo de locutor e texto?? Para quem assiste o Raul Gil e via o Maurício Gasperini no juri e se perguntava quem era esse cara, aqui está: era integrante da banda Radio Taxi (que, eu acho, só emplacou essa música) e aparece nesse clipe com aparência de 15 anos de idade.
Eu aposto que alguns fãs (!!) da Claudia Leitte, devem ter achado que ela apareceu cantando isso com o Roberto Carlos era porque ELE estava fazendo alguma homenagem a ela...
Essa música já foi tão regravada e tão mutilada que muita gente nem sabe como ela era. Notem que o Kiko canta a música inteira, a voz dele fica totalmente diferente antes e depois da modulação. E isso antes do Autotune...
Quem acompanha o Blog talvez se lembre que, em 2010, eu apresentei uma banda daqui de Santos, chamada O Cerco. Para quem não se lembra ou não leu, aqui vai o link:
Descobri que o Tinho, vocalista da banda, faz um trabalho solo de voz e violão aqui pertinho de casa, num local chamado Sobremesa. Eu sempre passei na frente de lá durante o dia e achava que era somente uma casa que vendia sobremesas congeladas. Porém, durante a noite, ela se transforma numa casa bastante agradável, com mesas ao ar livre, cardápio enxuto, mas correto e música ao vivo.
Como estava ameaçando chuva (e que acabou sendo um chuvisco rápido), não levei minha câmera e acabei fazendo vídeos com o celular, que não ficaram lá essas coisas tanto em termos de imagem quando tom, mas resolvi postar assim mesmo, com um compromisso de retornar e fazer um registro decente.
Tinho percorre um repertório variado que vai de MPB ao pop internacional, passando pelo reggae e pop-rock nacional. Começou cantando Lulu Santos, o que já mostra um bom gosto. Aqui vemos uma versão reggae de "Ai se eu te pego" mostrando como um cantor da noite pode utilizar a inteligência para atender ao gosto popular sem se aviltar.
Logo na primeira música eu notei uma coisa estranha. Em certos momentos da música eu ouvi backing vocals. Observando com calma, notei que era a própria voz do Tinho que, modificada e com certo delay, dava aquela impressão. Num dos intervalos conversamos e ele me apresentou um aparelho que, sinceramente, nunca tinha ouvido falar. Chama-se Vocalist e é uma coisa incrível. Por meio dele, você pode escolher o número de vozes e se farão terças, quintas ou até oitavas em relação à voz que entra pelo microfone. Ou seja, o som fica muito mais rico sem precisar de contratar um monte de gente o que, convenhamos, com os valores pagos pelas casas, tornaria o trabalho do músico inviável.
Aqui vemos Tinho cantando um medley de reggae que, mesmo eu não morrendo de amores pelo estilo, ficou muito bom.
Aqui temos Human Nature do Michael Jackson, depois que consegui mudar de lugar e me aproximar mais.
Fiquei muito na dúvida se eu deveria escrever algo sobre esse assunto, mas acho que um blog que se propõe falar de música não pode ignorar algo que todo mundo está comentando.
Bem, para começar nunca tinha ouvido Michel Teló na minha vida. Via anúncio de show e foto em site de notícias, mas nunca me interessei em saber quem era. Um dia, começo a ver reações indignadas de pessoas reclamando que Michel Teló estava fazendo sucesso no exterior. De tanto ler, nas redes sociais, gente reclamando, resolvi analisar um pouco o que estava acontecendo.
Na verdade, não é Michel Teló que está fazendo sucesso (se fosse assim, ele estaria com shows em diversas capitais mundiais, várias músicas nas paradas, etc). É somente UMA música, chamada "Ai se eu te pego". Essa música tem a seguinte letra:
Nossa, nossa Assim você me mata Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego
Delícia, delícia Assim você me mata Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego
Sábado na balada A galera começou a dançar E passou a menina mais linda Tomei coragem e comecei a falar
Pessoas de todo o mundo já gravaram ou foram filmadas cantando ou dançando essa música, seja na sua versão original ou nas 158 versões em diversos idiomas, inclusive em tibetano cantada por monges de Lhasa (brincadeira!).
Muitas pessoas, inclusive algumas que eu respeito e admiro se lamentaram porque o Brasil estava sendo conhecido por uma música de péssima, qualidade, etc.
Gente, vamos parar de querer ser mais realistas que o rei, né? Essa música está fazendo sucesso por alguns motivos:
- A letra minúscula não dá trabalho para fazer versões para qualquer idioma, dialeto ou qualquer forma de expressão existente.
- O ritmo sincopado com que se canta as frases, sempre com intervalos entre eles (Nossa... Nossa...) permite que se encaixe qualquer outro idioma sem problemas que ocorreriam se uma frase emendasse na outra.
- O gestual, simulando um ato sexual é particularmente atrativo para o público jovem, que ainda acha sexo uma novidade e para alguns mais velhos que acham que é "moderninho" fazer um gesto ousado. Lembra do sucesso que fez o "Em cima em baixo puxa e vai" da torcida brasileira no campeonato mundial de voley?
- O solo de sanfona gente!! Nós brasileiros temos o mau costume de não enxergarmos o que tem demais aqui, mas falta lá fora. Quem passa por um nordestino tocando sanfona numa praça, no máximo fica irritado com aquela "música de pobre" e pensa que esse pessoal deveria voltar para sua terra. Só que um europeu, quando ouve um solo de sanfona, fica enloquecido. Lá tem o instrumento, mas é tocado de outra forma. Ele nunca ouviu aquilo e se maravilha.
"Ah, mas tinha que divulgar o Brasil justo com essa música?" E que mal há? A Romênia, que até então só era conhecida por ser a terra do Drácula, ligou para ser conhecida por "Dragosteia Tin Dei"? E a "Macarena"? Quer coisa mais chata, repetitiva e sem letra que "Macarena"? Perto dela, "Ai se eu te pego" é Tom Jobin. E, para um país que era conhecido pelo samba, mulatas, turismo sexual e violência, não tinha o que piorar mesmo.
Observem esse video, de um casal francês cantando e dançando a sua versão. Note como eles adoram a parte do solo de sanfona.
Então, vamos ser menos exigentes. A música nunca teve pretensão de ser uma música séria, enquanto temos aqui no Brasil, compositores que escrevem letras absurdas e se acham super cult. O sucesso não significa que Michel Teló será o novo embaixador musical do Brasil, ou que estará cantando para o Papa no Natal de 2012. Desconfio, inclusive, que daqui a uns meses, ninguém mais falará dessa música lá fora e nem irá se lembrar de Michel Teló.
Era o momento, isso sim, de alguns artistas sérios, de música regional, particularmente com solos de sanfona, tentarem entrar no mercado internacional e, quem sabe, transformar o forró no novo reggae. Quem viver verá.
Ah, para aqueles que passam por um sanfoneiro na rua e pensam que ele deveria voltar para sua terra, porque isso é música de pobre, sugiro ver esses dois vídeos aqui:
Clara Nunes cantando Feira de Mangaio na TV Japonesa.
Versão sinfônica da mesma música
Detalhe: Fui eu quem postou esse último video e já recebi até mensagem de um maestro americano interessado na partitura para executar lá.